quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Lavagante

O lavagante, como estratégia de alimento, alimenta algumas das suas presas. As presas, comodamente, aceitam esse alimento e deixam de, elas próprias, o procurar. Um dia, quando as presas ja estiverem o suficientemente gordas para não se conseguirem mexer, o lavagante vai ao seu esconderijo e come-as. 
Numa época de profundo autismo social e político, eis que a Ministra das Finanças se reuniu com banqueiros,  em dezembro passado, com intuito de “forçar” mais um financiamento da banca (privada) ao sector empresarial do estado.
Falamos de cerca 2,7 mil milhões,  mariotariamente para financiar empresas publicas do sector dos transportes. O motivo é simples: Permitir continuar a manter estas empresas fora do perímetro de consolidação orçamental, evitar que a dividas destas sejam consideradas como divida publica e assim contribuir para o regime de brilharete que pretende transformar medidas vulgares de mascarar divida em actos de consolidação e reforma estrutural – não é que o elefante não esteja no meio da sala,  o que acontece é que ninguém o quer ver.
Mais grave que estas medidas procastinadoras da resolução (imprescindivel no futuro que deveria ser suscentavel), é a promiscuidade que se gera entre a banca privada e sector estado...Quando o próprio estado cataliza um investimento que não tem cabimento “per si”, não pode ser de esperar outra coisa que não a da banca vir um dia cobrar o favor.
Paralelamente, existe em curso um plano de privatizações do sector empresarial do estado. Aparentemente só das empresas interessantes e estratégicas, as poucos interessantes ficam,  naturalmente, de fora do interesse de privados e continuarão a acumular, na sua maioria, prejuízos. 
O grande mobil das privatizações tem sido o encaixe financeiro imediato que as mesmas permitem. Claro que este governo é refém de um memorando, de um troika, de anos e anos  e vários governos de ma gestão. Claro que a criatividade orçamental é hoje em dia muito reduzida, contudo a aleanação de interesses estratégicos nacionais é algo que, para além de só adiar um problema, nos vai caducar enquanto soberanos num futuro.
Pode-se falar em manter o interesse nacional atraves de instrumentos de regulamentação, mas isso não é a mesma coisa que fazer. Uma coisa é regular, outra coisa é fazer...o que isto representa é uma delapidação da capacidade nacional de o fazer.  Num pais pequeno e de pouca população, permitir que interesses estrategicos sejam diluidos em grandes interesses internacionais, é uma condenação à dependência.
 É um permitir deixar de aprender, é o processo inverso dos paises em desenvolvimento. É a oportunidade unica de desenvolver quadros que se perde para sempre. Não está em causa a competência dos privados na gestão dos bens públicos, o que esta em causa é a incapacidade de gerar valor e de nos permitir continuar a afirmar na gestão de topo, ja para não falar na oportunidade perdida que nos permitiria desenvolver estas empresas internacionalmente e salvaguardar interesses nacionais.
Anda aí um lavagante e anda aí alguém a ser alimentado.
 
 
 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Do ex PR

Ainda acerca daquilo do ex PR, so para dizer que a idade é mesmo uma coisa tramada. E não é tanto porque nos faça começar a pensar diferente, é mais porque nos faz falar muito mais aquilo que pensamos.

Que a vida nos acuda a todos e que nos salve de tanta verborreia. Como diria alguém, mais vale ficar calado e parecer estupido, que abrir a boca e confirmar isso.

Das pessoas

Podiamos falar aqui da morte de Eusébio e das reacções das pessoas, das polémicas exclamações daquele ex PR ou até de como PP disse (sem se rir) que afinal tudo fez em prole do reforço de uma coligação (e sabe Deus com que sacrifício pessoal). Podiamos ainda falar de eventuais nomeações de gente reputada e curriculada, que só as mas línguas , invejosos (e outros quejandos) ousariam colocar em caus...a, o mérito. Contudo isso não seria ir ao essencial da coisa.

E o essencial da coisa e tudo aquilo que me apraz (apenas) dizer é que nada disso já me consegue surpreender (o que me poderia surpreender seria o contrario), porque (e talvez seja da idade que não se poupa de avançar a galope), nada de bom ou grandioso (humano, arrisco) se poderia ou devia esperar de uma sociedade demarcadamente lucrativa, umbiguista e autista.

Deixando hipocrisia (tipo de todos) aparte, é bom que nos lembremos que vivemos no mundo com recursos finitos e que para cada um de nos (sim, nos todos), mantenha o seu estilo de vida (seja ele qual for, desde que na Europa ou America dos "evoluidos"), alguém do outro lado do mundo (sim daqueles a quem abnegadamente doamos arroz) se tem que "ferrar" com (tipo) 1% daquilo que aqueles que menos aqui têm, têm.

Sim, apesar de "nos" escandalizarmos por alguém nos relembrar que não é (provavelmente) boa ideia comer bifes todos os dias, todos nos (todos mesmo), vivemos de modo não sustentável.

Insistir na manutenção do estilo ou qualidade de vida (ou que lhe quiserem chamar) da maioria (que é minoria no mundo) é (simplesmente), "condenar" uma boa parte (agora sim da maioria do mundo) a uma certa (também) manutenção de uma miséria (perante os nossos olhos evoluidos).

Portanto, fica a reflexão e a nota de que nada vale mostramos (exageradamente) surpreendidos porque na verdade estamos todos (ou quase todos) um bocadinho ali representados.

O que importa, portanto, não é eliminar o mal do mundo (porque isso seremos nos), mas impor limites de moralidade para que esse mal não se torne no mundo!

Um bem haja!

(PS: Vivemos numa espécie de mundo em que o bom gestor já não vai la com a estratégia subversiva de Sun Tzu, mas sim com a eloquência diplomática de um príncipe (de Maquiavel).

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo

A vida dá um sem fim de oportunidades, contudo, invisíveis e é preciso rasgar a camada superficial da vida  para as percerbemos. Tal e qual uma mina de ouro debaixo dos nossos pés...se ficarmos parados nunca a vamos descobrir.  É preciso agarrar na picareta. 

Acredito que o "destino" nos cruze e nos coloque  desígnios no caminho, contudo, também acredito que é a nossa vontade de trilhar um determinado caminho que pode rasgar essa camada superficial e abrir um caminho de riqueza emocional , com o risco de que se nada fizermos, nada de fantástico nos vai acontecer.

Os meus votos de ano novo, é que cada um de nos seja capaz de trilhar o seu caminho e que tenha garras para rasgar as camadas superficiais da vida e encontrar todo um mundo de oportunidades.

Podemos ser fantatiscos, mas se ficarmos parados em casa a ver TV, é a mesma coisa que sermos a mais básica amiba. A maior das masmorras, é da camisa de forças que vestimos a nós mesmos por pensar em pequeno. Como diria Zapata, mais vale morrer de pé do que viver de joelhos - arrisquem. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Sem Natal

As reportagens e a histórias de pobres e enjeitados, pintados de tristes "só" porque não têm Natal, enjoa. Enjoa, especialmente, porque é uma criação, um querer fazer acreditar que só aqueles "desgraçados" é que não têm Natal, o resto do mundo sim, e feliz.

O que não falta no mundo é gente sem Natal ora porque está a trabalhar, ou porque esta fora, ou que não tendo motivo nenhum, simplesmente não tem porque não tem. Vende-se muito a ideia do Natal em família e perfeito, mas estou em crer que ha, no mundo, mais famílias desfuncionais que perfeitas e como tal, deixe-mo-nos de comiseração, porque chato (infeliz) é ser pobre e miserável o ano inteiro e não apenas numa noite por ano.

E pronto, é esta a mensagem de Natal do Sujeito, com predicado (sejamos pragmáticos e olhemos a vida de frente e não a olhar para baixo).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Euforia do regresso

Um pouco por todo o lado, as mensagens eufóricas daqueles que andam por esse mundo fora e agora se vêem a horas de embarcar para Portugal para a pausa se Natal, espalham-se pela internet.

Compreendo muito bem (porque já senti na pele), essa euforia de voltar ao mais próximo que se tem de lar. Embora pareça fácil, até pelas fotos de jantares de lagosta ou praia em dezembro, é de facto difícil e a euforia só é justificada pela dimensão das dificuldades.

Passar muito tempo, demasiado talvez, em determinadas geografias tem essa propriedade - a de se ficar eufórico com o que seria nosso por direito. A típica "regra" do perder para valorizar.

Por outro lado, os que já cá estão, e bem, nunca conseguem sentir a euforia de recuperar nem que seja por pouco tempo, aquilo que nunca perderam.
Voltamos à temática de saber aproveitar o que temos e quando temos, será verdadeiramente possível ou é preciso a chamada experiência de vida para perceber isso tudo? 

Vale a pena os baixos para valorizar (ainda mais) o altos? Existirá mesmo  uma "mediocridade monótona na regularidade"?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Casa


Chegar, ao fim de semanas,  e ser recebido pela Sra do check-in tal com familiaridade tal que parece que sai dali ontem deixou-me com o sentimento confortavel de ser reconhecido como “o filho que torna a casa” e por outro lado com o reconhecimento triste que isso, provavelmente , se deve ao facto de ter passado demasiadas noites ali (não tantas para experimentar todos os quartos, mas quase).  
 
E isso, de me “sentir em casa” num hotel, não pode ser coisa boa.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Estar so, sem estar so

A proposito da morte de Mandela, o homem que esteve casado 34 anos com uma mulher, dos quais 30 preso,  e de quem se divorciou apenas 2 anos depois de libertado. Alegadamente tera dito que “foi o homem mais solitario do mundo nos dois anos apos a liberdade”.

Fernando Pessoa abordou o tema. Hemingway também -  A pior das solidões é aquela que se vive acompanhado.

É de facto significante. Alguem que viveu 30 anos em condições de isolamento, achar (alegadamente) que mais solitario do que estar so, é estar so ao lado de alguém. 

Aparentemente a pior das masmorras não é da solidão per si – essa parece que se aceita, mas sim  a da solidão de se estar acompanhado sem estar. De esperar e não ter. De ser suposto e não ser.
No fundo, é tudo uma questão de expectativa (porra, somos mesmo pavlovianos).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Madiba

Agora que o Madiba Mandela morreu, as pessoas vão chorar, vão publicar mensagenes de condolências, vão bater em latas, vão fazer homenagens, vão anunciar a sua grande obra (ainda que a maioria ignore ao certo qual foi) e vão dizer que o mundo fica mais pobre.

O mundo contudo não fica mais pobre, porque nunca deixou de o ser, uma vez que amanha (ou logo), as mesmas pessoas vão continuar a comer o seu jantarinho enquanto passam desigualdades na TV e vão dizer que é muita pena ser assim, mas que não podem fazer nada, uma vez que aparentemente aceitam bem que nascemos desiguais e como tal teremos vidas desiguais. As mensagens são bonitas, porem inuteis quando desprovidas de acções.

Madiba, foste grande e abdicaste de muito em prole de uma causa, porem e embora oficialmente muitas das desigualdades tenham pomposamente terminado, continuamos (uns mais que outros), a viver agrilhoados pelo flagelo da desigualdade.

Por isso, seria positivo que, por uma vez que fosse, aqueles que se estão nas tintas para os que sucumbem em Africa e e noutros sitios, se calassem e deixassem hoje a hipocria de lado e que evitassem verborreias acerca de opressão e racismo, mais que não fosse por respeito ao defunto.

E é isto. Provavelmente daqui a um ano havera um concerto em Wimbledon para celebrar a efemeride e haverão foguetes e o  Bono dos U2 ira fazer uma musica para o evento e tudo.


Depois, a coisa vai-se diluir no tempo e devera ficar restrita a uma casa museu e a umas canecas com a cara do Madiba. O mundo....o mundo continuara desigual (como si mesmo)...


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O comboio

Na vida é comum dizermos que, se fosse hoje, fazia diferente. E esse se é importante, porque surge depois da acção, ou seja...só conseguimos aferir o real peso das nossas acções e decisões depois de elas estarem tomadas, quando já "é tarde".

É isso e uma certa incapacidade humana para detectar os problemas enquanto ainda não o são verdadeiramente, ou seja, a importância  do problema só nos percorre a espinha quando percebemos que o mesmo já não será resoluvel de forma  pacífica.

Até lá, procrastinamos...adiamos demasiadas vezes decisões resolutivas, acomodamo-nos demasiadamente a habituações que só avultam a matéria e escondem a vida. Apanhamos o comboio da rotina até ao dia em que ele descarrila e em que somos chamados a acordar é a perceber que podíamos ter saído ha 10 estações atrás. 


Fica para um dia...esse dia pode ser tarde demais. O "hoje" devia ser um dia demasiado importante para o ocupar demasiadamente a pensar no "amanhã". Até porque os planos, são a única certeza pela qual a vida não passará.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cunhal, do homem e da obra

Aproveitando o 25 de Novembro, são varias as publicações que têm dedicado artigos ao centenário de Álvaro Cunhal. E o espectáculo tem sido triste. Triste, porque a maioria dos artigo que li se versava muito mais no homem do que na obra. No seus 100 anos, fala-se do seu charme, no seu estilo misterioso, no porque de usar camisas, nos excelentes nos de gravata, numa vida afectuosa com affairs dignos da "Nova Gente". 

Goste-se ou não, Álvaro Cunhal foi sem duvida um personagem incontornável da historia recente de Portugal. Álvaro Cunhal, pautou-se (ou esforçou-se) para se apagar a si próprio em detrimento dos seus ideais (aos quais terá sido fiel?). Álvaro Cunhal, terá tentado, aparentemente, demitir-se de vénias pessoais em conformidade com os seus ideais anti personificação do culto e em prole do comum. Álvaro Cunhal, tinha contudo carisma.

E aqui reside o fel do homem - no carisma. 

Apesar de Manuel Tiago ter dedicado boa parte (quase toda) da vida a, supostamente, defender, desenvolver, implementar um conjunto de ideais que buscam neutralizar o homem em prole da comunidade. Que buscam enfatizar a força colectiva e reduzir o talento individual, que buscam eliminar celebrações pessoais, fazendo-as de todos, que buscam mostrar que é possível sermos conjunto e não uno...o triste...o triste disso é que nas comemorações dos seus 100 anos, a única coisa que haja a comemorar sejam os seus tiques pessoais, o culto da sua personalidade, o seu endeusamento, a sua elevação acima do comum mortal..o enfatizar do seu carisma.

No fundo, faz tanto sentido como o individuo que é vitima de cancro sem nunca ter fumado na vida. é uma infeliz espécie de dissertação que remete comunismo mais a uma questão de estilo do que ideologia.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O badocha de serviço

AVISO: As palavras que se seguem são preconceituosas – não recomendáveis a pessoas com salamaleques.
O almoço de sushi deixou-me a boca seca. Entro na copa com o objectivo de saquear uma garrafa de agua e constato com uma festa de despedida de alguém (os empregos são sempre como os Alfa Romeu - temos duas alegrias,a do primeiro e a do ultimo dia).

No meio daquele espectáculo triste e povoado de deprimidos frustrados com o tempo, com a Pepsi e provavelmente com o seu aspecto de falso blaze e recheado a bolo de chocolate da bimby, eis que o badocha de serviço entra em acção (certamente na ânsia gorada de ser o engraçado e talvez sacar um sorriso da "Vera Vanessa" que trata dos balancetes), e, achando-se um Dody Al-fayed e esquecendo-se que verme, saca do seu android dos pobres (espertos, quero dizer) e achou boa ideia grunhir:

“Querem ver o que a minha empregada(bem salientado) escreveu no blog dela? (rindo-se)”, a seguir recita três ou quatro entradas, provavelmente pouco providas de senso literário mas batidas a emoção, sempre em tom jocoso, próprio de quem precisa de “bater” em alguém para obter aprovação do quarterback.

Primeiro, o termo empregada é descabido. Isso seria aplicável se ele lhe pagasse um salário e tivesse assinado um contrato. O mais certo é ele pagar por um serviço, seja do que for (e no caso dele deve pagar serviços de muita coisa). O balofo estava portanto a armar-se aos cucos.

Segundo, é triste que pessoas que aparentemente têm vontade de se expressar de forma mais emotiva, tenham que se submeter ao escrutínio e a ao serviço de flácidos intelectuais.

Terceiro, é lamentável que a pratica “bully” seja a única admissível a pessoas sem auto-estima para impressionarem as “Veras Vanessas” deste mundo.

Quarto, eu juro que sou boa pessoa, mas quando tenho a boca seca e vejo gente parva, transformo-me numa espécie de Carrilho contra Barbara (mais ao nível da escrita criativa).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Radio

Na era da super informação instantânea, uma coisa que me continua encher os pulmões de pujança anímica é a radio.

A radio em directo, perceba-se. Quero dizer, naqueles momentos da pratica da solidão, numa noitada de trabalho, numa madrugada de folia, ou numa viagem matutina (ou até numa depressão dominical), haverá melhor tónico que ouvir pessoas a falar com pessoas? Falando por mim, acho que é bastante revigorante esse sentir que há vida do outro lado, que há mais um dia a começar, que o mundo se move na sua velocidade cruzeiro, independentemente da nossa circunstancia pessoal – No fundo a agradável confirmação de que se nos ficarmos hoje, amanhã haverá um novo dia.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Da frustração...


As recentes separações de alguns mediáticos, bem regadas a "faca e alguidar", de diferente daquilo que acontece aos molhos um pouco por todo o lado, só tem mesmo o facto de aparecerem na capa de alguns periódicos e deixar espaço para que todos opinem com desconhecimento de causa.

Isto para dizer  que, em muitíssimos casos, pessoas aparentemente sóbrias e intelectualmente estáveis, entram em descompensação e tomam atitudes que não lembra ao diabo - independentemente do estatuto social, económico ou académico (o nível de conhecimento da populaça é que varia). 

Descartando os casamentos por conveniência, ou por imposição familiar, não acredito que essa alteração comportamental inesperada (não sendo por vezes tão inesperada assim) esteja relacionada com o fim propriamente dito, estando muito mais ligada a uma deficiência congénita da digestão de frustrações que assola muitos humanos desde pequeninos.

Em boa verdade, é apenas uma variante madura das birras das crianças e é liquido: Humanos têm dificuldade em lidar com a frustração e só a experiência e maturidade suavizavam essa hecatombe de emoções efervescentes (ou deviam). A realidade prova que, in extremis, a maturidade só refina o método da "birra", numa versão não muito diferente do clássico "se eu não posso ter este brinquedo, mais ninguém pode ter". 

Isto leva-me finalmente ao que me traz aqui hoje...é que uma relação (seja de que tipo for), só termina no dia em que termina para uma das partes, na maioria dos casos já terminou para a outra parte muito tempo antes. E é aqui, nesse fim a dois tempos, que reside a violência do fim. O que dilacera não é tanto o fim, mas a confrontação de que não fomos capazes de perceber o que se passava a nossa volta. A frustração de aceitar que o barco zarpou e nos ficamos distraídos no cais "a espera". No limite, a ingestão de termos afincadamente trabalhado e investido num projecto falido. 

So a maturidade intelectual poderá suavizar os efeitos desta revolta de sermos confrontados com uma realidade diferente da que tínhamos como referencia. é natural que o agitar do pano que nos serve como chão nos deixe confusos, o que já não é para todos é o recato enquanto durar essa confusão.

Como  alguém (Garcia Marquez) disse: "Não chores porque terminou, sorri porque aconteceu", é muito bonito embora mais fácil de dizer do que fazer. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Da greve...

Sexta foi dia de greve geral da função publica. Para ser sincero não conheço profundamente todos os motivos, deixei de os conhecer quando percebi que num grosso das vezes estão em causa estão “direitos adquiridos” e outras coisas que por circunstancias da vida eu nunca adquiri.

Admito que as pessoas andem indignadas, (afinal é chato perder coisas e direitos e tal) e percebo que se manifestem para defender os interesses que são seus. O que tenho mais dificuldade em perceber é que de algum modo essas pessoas achem que os interesses delas são os meus interesses ou os interesses de uma sociedade, ou por si só uma coisa boa.

Em Portugal (e Europa em geral) é, de um ponto de vista socialmente correcto, proibido dizer-mo-nos contra manifestações (ou queixosos ou desfavorecidos) sem se levar automaticamente com o rotulo de ultra-liberal ou estúpido ou insensível .

E isto é hipócrita. É hipócrita porque aqueles que muitas vezes se manifestam , não o fazem por mim ou por nos, mas sim por eles e pelos interesses que lhes dizem estritamente respeito – doa a quem doer. A quem adquiriu direitos, pouco importa abdicar de alguns para os garantir a outros – o descrédito e desconfiança do ser humano para com o ser humano é tanta, que por defeito interessa mais garantir “o meu e dos meus” que dos outros ou nosso.

E desse ponto de vista é tão “terrorista” o carrasco que corta cabeças a eito como os guardiões dos intocáveis que, mesmo após a evidencia de um trajectória suicida, se recusam de forma construtiva a mudar o quer que seja. Faz lembrar um pouco a historia da ilha da Pascoa - uma sociedade que se extinguiu porque se recusou a ver o óbvio: O mundo esta em constante mudança e só os que se adaptam sobrevivem.

Por vezes para seguir em frente é preciso dar um passo atrás, e na vida não somos donos de nada – (só levamos a experiência), pelo que enquanto olharmos para a vida como algo que foi adquirido e não como algo que tem que ser conquistado todos os dias, haverá sempre os que se queixam de barriga cheia.

(tudo isto para dizer que fico indignado com tanto direito e coisa adquirida por parte de quem se instalou na altura certa enquanto outros estão condenados a um futuro cheio de nadas).

PS: Não sou contra as pessoas terem e defenderem continuar a ter (eu também tenho muita coisa que gosto de ter), assumam é que é um interesse pessoal ou de uma classe ou um privilegio. é uma coisa mais do ego que do sócio.

Da vida...

II

O ser humano é de habituações, e por mais que tenha, quando se habitua a ter, quer mais. É natural – se a ultima coca-cola do deserto me provoca uma imensa felicidade, uma coca-cola todos os dias só me provoca uma dilatação do estômago. E é este “defeito” humano de nos habituarmos ao que temos ao ponto de nos esquecermos ou de deixarmos de saber ser felizes com tudo o que temos, que nos impulsiona para uma trajectória por vezes trágica ou se quisermos egoísta.

É do apanágio popular dizer que só damos valor ao que temos depois de o perdermos e a verdade é que o mundo esta cheio de gente infeliz com tudo, e feliz sem nada. Também não é menos verdade que momentos que nos abanam muito a vida (a chamada experiência de vida), nos fazem valorizar o fundamental – que é a vida. Dai o proverbio “nunca digas esta agua não beberei” – é muito mais um conjunto de circunstancias que nos faz agir, sentir e adoptar certo comportamento, do que a teoria e o que achamos que somos.

Tudo isto para concluir, que o fundamental da infelicidade é inexperiência de vida (o que não significa que infelicidade seja opção).

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Da vida...

I

A morte de 92 imigrantes no deserto ou os crescentes raptos em Angola e Moçambique (entre outros países) tem uma base comum: Pessoas que saem do seu pais para se abalançarem a hipotéticas condições de vida melhores.

Hipotéticas, porque creio que a maioria sonha sempre com algo que não existe, com algo que é ficcionado. A realidade nunca corresponde a imagem que criamos de determinado pais...a realidade vem trazer uma espécie de equilíbrio – se por um lado os aspectos negativos se revelam menos negativos, os aspectos  “de sonho” também se revelam mais banais. Contudo isso é irrelevante...no momento de se atirarem ou deserto ou de se meterem num avião com destino incerto, o que os move é o motor da esperança alimentada pelo desespero que de algum modo se lhes esta entranhado nos ossos. 

Aqui reside, a meu ver, a maior das limitações humanas. Se por um lado carências físicas varias motivam ser humanos para desafios tremendos e para um maior desenvolvimento dos vínculos emocionais entre pessoas, por outro lado, uma sociedade prospera tende a ser farta em tudo menos em relações humanas. E se será horrível viver em condições de morte, não deixa de ser frustrante ser infeliz numa sociedade farta e é ai que a nossa limitação animal reside – é que somos capazes de nos sacrificar de vida em busca de alimento, mas dificilmente nos sacrificamos de vida em busca de harmonia em pessoas.

Na verdade, se tivermos de barriguinha cheia, deixa-mo-nos definhar num mundo autista. O mundo será sempre um lugar estranho enquanto for possível haver desequilíbrios tais, que seja aceitável que alguns se sacrifiquem ou sejam sacrificados gratuitamente enquanto outros assistem de mão atadas, ainda que eles próprios envolvidos num novelo em que não e liquido serem felizes e muito menos terem condições de mudarem o quer que seja.  Não é que as pessoas sejam egoístas, vivem é “prisioneiras” de uma sociedade maximizada para o consumo e rápido!

(ideia em desenvolvimento...)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Carrilho e Baba

A recente historia de faca e alguidar entre Barbara e Carrilho, da qual não vou tecer comentários por se tratar da vida privada de cada um, só me faz lembrar o popular ditado “em casa de ferreiro, espero de pau”. O que a realidade e os factos nos evidencia, é que na hora da verdade, quando lhes acontece a eles, quando a pele começa a aquecer, os “especialistas”, deixam de o ser e comportam-se de acordo com o seu intimo. O seu eu interior sai do fundo do iceberg e emerge até ficar visível – sem teorias, sem especialidades. Cada um tal como é – in cold blood.

Isto, porque seria de esperar que um filosofo, professor, ex-ministro, e vivente nos seus 60 anos, tivesse mais senso e inteligência social, antes de vir enxovalhar a futura ex-mulher em praça publica. Não sei os motivos do futuro divorcio e até posso conceber que Carrilho sinta uma profunda revolta e frustração com a futura ex-mulher, o que não compreendo é que ele entre numa lógica de escândalo que só ira provocar danos irreversíveis e consequências desastrosas para ele a para a relação forçada que ira ter com a mulher (e filhos).

Do ponto de vista filosófico, social ou até racional, Carrilho, até ver, tem demonstrado ser simplesmente um idiota e ter um desenvolvimento psicomotor ao nível do rural que queima a ex-namorada com acido, apenas porque não sabe lidar com a rejeição...

Concluo dizendo que é sempre muito mais fácil criticar do que fazer e dai eu pessoalmente ser um pouco adverso a tantos comentadores de bancada, acomodados ao seu lugar de comentadores, mas que na hora da verdade se comportam com alarves. Experiência de vida é tudo.

Acontecer aos outros

Ha um conjunto que coisas que, de certo modo, achamos sempre que so acontecem aos outros até ao dia em que nos acontecem a nos – isto é mais ou menos uma verdade de La Palice.

Depois há o conjunto de coisas que nos acontece a nos e achamos que nunca acontece aos outros – isto é mais ou menos o mindset do português médio típico. Ou seja, ter um mau emprego, ganhar mal, morar numa casa péssima, ter um carro que avaria e um cão que ladra, são coisas que nos acontecem só a nos e nunca aos outros, porque os outros enfrentam uma vida perfeita de sorte espectacular com empregos de sonho e bem remunerados, chefes com inteligência, férias no Cacém de baixo e mulheres de sonho sem ser em sonhos e porque nos merecemos penar por sermos baixos, fracos, feios.

Quando um mamífero humano se destaca do malharal, facilmente se cria a ideia de intocável, ídolo e perfeito e depois há quem acredite mesmo que as pessoas são mesmo imunes a problemas. Como se tivessem tomado um tónico da felicidade ao ponto de os “comuns” se indignarem com a por vezes evidente infelicidade de quem “tem tudo” para ser feliz.

A ver se entendemos, somos todos pessoas, somos todos farinha do mesmo saco e ninguém tem tudo para ser feliz só porque se destacou em determinada área. Os outros são pessoas como nos e, tirando o Chuck Norris, todos podemos estar sujeitos as mesmas provações. Se tivermos que meter tudo numa balança, até diria que quem atinge sucesso esplendoroso em determinada área tem mais dificuldade em encontrar o equilibro nas outras – como se de uma maldição se tratasse.

Portanto, gente infeliz, ressabiada e invejosa (uma boa parte da população do mundo), deixem se comiserarem por si mesmos e mentalizem-se que coisas mas (e boas) acontecem a pessoas boas (e mas), independentemente das virtudes pessoais dos sujeitos na aleatoriedade incrível que caracteriza a vida.

E lembrem-se, até um dos ícones femininos, sexuais, libertinos e outros quejandos (Madonna) já foi vitima de traição, violência domestica e abandono – tal e qual uma dona de casa gordurosa, flácida e desesperada.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Angola Portugal

A recente tensão Angola-Portugal, embora esteja pintada de muito complexa, é na verdade simples. 

De uma lado lideres indubitavelmente corruptos que desejam que nada, nem do outro lado do oceano, seja investigado e que querem manter o seu status quo – ao estilo rico arrogante que não esta para ser investigado.

Do outro lado, um sistema judicial que se diz isento, mas do qual resultou uma fuga ao segredo de justiça e o modo arrogante como lidou com essa fuga - ao estilo são todos uma cambada de corruptos e portanto que importa julgamentos sumários em praça publica?

A acrescentar, o péssimo sentido de oportunidade e de estado do ministro Machete, seria difícil fazer pior e parado e calado errava menos (um relógio parado, esta certo duas vezes por dia).

Finalizando, a ferida aberta só mostra o modo como esta construída a relação aleivosa entre Portugal e Angola...de um lado um portento económico com necessidades de afirmação interna e externamente, do outro, um pais paupérrimo que se diz defensor da ética, mas que faz o que for preciso para receber o soldo.

Inocências e hipocrisias na prateleira, o tema é sensível e as escolhas difíceis...todos somos defensores da ética, justiça e transparência, mas quantos de nos abdicariam do conforto pessoal em prole disso? Diria que o que esta na mesa é uma coisa do tipo “justiça, doa a quem doer” e enfrentamos as consequências (economicamente avassaladoras ) disso, ou então somos uma espécie de prostibulo europeu e mais vale deixar-mo-nos de investigações bacocas e bora mas é fazer negociatas.

Entretanto na minha opinião pessoal, acho que a sério, a sério, a sério, diria que a 89% dos portugueses pouco interessa a corrupção e nível de vida em Angola , desde que facturem o seu e que as coisas mexam e já agora não passem fome. A própria atitude, autista, de muitos dos que la vivem é essa...e como tal, é de facto um pouco hipócrita que se façam investigações em solo português acerca de negócios angolanos, quando tanto esquema e corrupção passa impune em solo nacional. Quem nos houve parece que somos campeões da transparência. Não atires pedras se tens telhados de vidro e não mordas a mão que te alimenta. As vezes parece que estamos em 1973.

Coisas boas

Apanhar uma corrida de táxi em Lisboa, sermos quase abalroados por uma condutora e termos um um taxista que grita "o marido não a coçou a noite e agora deve querer que aqui o taxista a vá coçar, mas não da porque esta murcho". Enquanto o meu colega francês esboça um ar confuso, eu sorriu e lembro-me do porque de preferir o "Zé Manel taxista" ao "Bernard chauffer". 

Maravilha.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pobre com charme

Ser pobre em Portugal é algo quase tão natural como a sede...ninguém no mundo fica surpreendido por conhecer um pobre português, nem ser pobre é sinonimo de frustração e muito menos significa que a pessoa seja zero a tudo. Simplesmente acontece...Um pais em crise e pobre, tem gente pobre. 

Pode até haver o maior incompetente em tudo, preguiçoso, execrável, etc, que até esse se pode esconder no escudo da pobreza da nação e dizer que a culpa não é dele, é do pais.
Para além disso, um pobre em Portugal é mais um..ninguém nota e tem muitos pares. Tanto que as pessoas até chegam a ver charme nisso. É isso, a pobreza em Portugal tem charme...somos mesmo especiais..todos os estrangeiros com que me cruzo e que conhecem Portugal me dizem o mesmo “a nossa pobreza tem piada, tanta que parece propositada”. Enfim, o que lhes digo é que são tantos anos (tipo todos) de pobreza, que transformamos isso em fado e até parece coisa boa. As ruas não estão sujas, têm é personalidade.

Por outro lado, o que será de um pobre na Alemanha? De certeza que muito pior que em Portugal. Não lhe basta ser pobre e quiçá miserável, como ainda tem que viver com frustração de o ser num pais rico. De que lhe vale a riqueza do pais se ele é pobre? Nem nas esmolas ganha mais, pois é sabido que só pobre da esmola. Tudo isso e ainda tem a dupla dose de ele ser, provavelmente, visto como a causa da própria pobreza. Isso e sem piada, nem brio, nem estilo nem charme.

Estamos portanto, os portugueses, em condições de vantagem em relação aos povos europeus....concorrência desleal diria....num mundo e futuro que se prevê de pobreza e mudança, temos 1140 anos de vantagem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Relatividade hospitalar

A cereja no topo do bolo da relatividade de tudo, é o ambiente hospitalar.

De facto é um ambiente que pauta por uma hibridez de sentimentos...Recordo-me de uma vez em que fui fazer um exame médico e no momento em que fui surpreendido por um resultado que não era o esperado, no exacto do momento em que o chão parecia flutuar, em que o mundo parecia que ia acabar, não é que o raio do técnico decidiu ligar a um amigo para combinar um ida ao cinema?

Assim, enquanto eu via (no calor do momento) a minha vida andar para trás , alguém estava apenas a fazer o seu trabalho, a sua rotina, mais um dia – e bom pelo vistos!

É assim que vejo os ambientes hospitalares....sítios marcantes e altamente pesados do ponto de vista sentimental para uns e ao mesmo tempo, aprazíveis locais de trabalho e de vida para outros.

Nunca alegria, normalidade e tristeza habitaram tão bem o mesmo espaço...Chamem-me sentimentalista, mas acho que haveria de haver um decreto que proibisse que profissionais da saúde de actuarem como pessoas felizes da vida no momento em que outros recebem de chofre a noticia de que eles ou os deles têm não sei que não sei onde.

Ao mesmo tempo, acho o ambiente interessante...Este convívio tristeza/banalidade mais não é que uma prova (mais) uma, que na vida só custa o habito, o resto é rotina.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Acontecer o que acontece aos outros

A vida seria muito mais fácil se fosse simples fazer aquilo que racionalmente sabemos dever ser feito. Mas a triste verdade é que, amiúde e para a maioria, apesar de tantas vezes sabermos o que fazer, de tantas vezes nos mentalizarmos que em determinada situação, agiríamos de determinada maneira e de tantas vezes nos surpreendermos até com a reacção (estúpida) que pessoas têm a determinados estímulos, a verdade (verdadinha) é que na hora da decisão, quando nos calha a nos o que só acontece aos outros...ai tudo muda....

Vai-se o racional e vem o o emocional. E ai, apesar de termos passado a vida a achar racionalmente que sabíamos o que fazer, percebemos que afinal não – na vida e nos grande estímulos, a maneira como reagimos é o acumulado da nossa experiência de vida e não o acumulado de enciclopédias lidas.

Tudo isto para concluir duas coisas:

Especialistas em determinadas áreas podem ter falhado nessas áreas que não deixam de ser especialistas e competentes por isso (por exemplo conselheiros matrimoniais ou psicólogos);

Senhoras e Mulheres que se escandalizam por que outras senhoras, mulheres ou jovens admitem coisas que elas nunca admitiriam só significa que as primeiras têm falta de experiência de vida e ainda acreditam no pai natal ou então insistem em continuar no erro de não aceitar que na vida todos temos altos e baixos e que nos altos é sempre fácil e simples tomar decisões pragmáticas, mas que nos baixos tudo se torna turvo e desfocado.

E quem diz senhoras e mulheres, diz outra coisa qualquer....eu é que sou o género de individuo que faz distinções de género.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Secret Porn

Depois do que me explicaram hoje, fiquei com a ideia de que se alguém assumir aqui que tem uma conta no youporn para ver nos sábados à noite, é depravado e tarado, mas que se vir sexo ao vivo debaixo de lençóis todos os dias (secret story), e em família, esta dentro da maioria dos telespectadores e portanto porreiro.

Conclusões a tirar:

Contas no youporn são inúteis;

Como é que me distrai e secret story já vai na sexta edição e eu não vi um sequer episódio?

Estação de serviço

Numa estação serviço perdida, entro com objecto de encher o depósito e enquanto me degladio com um funcionário franzino e intimidado (parece que é complicado atestar viaturas às três da manha), ouve-se do fundo um ruído de algazarra. Quatro maduros bebem cervejas, ébrios e de cara envermelhada, falam alto e gabam-se dos feitos que (não) fizeram e discutem motores de Porsche Carrera, tudo isso talvez numa tentativa de acreditarem neles próprios ou talvez na esperança de abafar o ruído ensurdecedor do silêncio de uma vida de solidão que lhes esta marcada a ferros nas rugas da cara e no abdómen dilatado.

Olho despercebidamente, e tiro uma foto ao momento enquanto penso no valor e na diferença que uma mulher traz à vida - seja como companheira, como amiga ou como simples camarada numa noite de copos. O sol quando nasce é para todos, mas só algumas flores o tornam dourado.

Feios e Enjeitados

Estou em crer que a maioria dos feios e enjeitados do mundo daria um rim para estar no grupo dos bonitos e charmosos. E esta moeda a dar em troca por uma tromba linda aumenta na mesma medida que a burrice dos sujeitos e sujeitas - a crescente conta bancaria de qualquer artista da estética é prova disso, embora essa demanda seja algo infrutífera pois é sabido que não há mulheres feias (o que há é mulheres mal arranjadas) e que o maior charme de um homem não esta nos abdominais tonificados, mas sim na atitude.

Excluindo os outsiders, ou seja aqueles que são mesmo horríveis ou com um hálito a favas com chouriço, há na verdade muito mais vantagens em ser feinha ou feinho que bela e arrasador. Vejamos (para ler num misto de boa disposição com verdades pelo meio):

As feias podem ter sempre a certeza que os seus amores as amam pelo seu carácter e personalidade e não porque o gajo quer dar umas boas;

As feias não são vitimas de assédio sexual e é menos provável que sejam violadas;

As feias não são vitimas da inveja das amigas giras;

As feias, por partirem de uma desvantagem, são mais empenhadas nas relações e como tal com mais probabilidade de sucesso em relações duradouras;

As feias têm que se esforçar mais para serem atraentes e com tal refinam o bom gosto, ao que as bonitas podem facilmente cair no conceito de “ar de badalhoca”;

As feias têm menos depressão pós parto, porque já eram menos atraentes;

A burrice quando aparece concomitantemente com a beleza da geralmente resultados mais catastróficos (do ponto de vista da infelicidade) do que a combinação feiura + burrice;

Pessoas bonitas divorciam-se mais, pois ao serem atractivas, atraem naturalmente outras pessoas e podem criar-se oportunidades e dilemas a que as feias e feios não têm que se sujeitar nem predicar (ao estilo de fidelidade por falta de oportunidade).

Preconceitos e generalizações aparte, a imagem interfere de facto naquilo que somos e sem duvida que não é liquido que ter mais beleza física constitua de facto uma vantagem para o caminho da felicidade (excepto para os que querem ser modelos desde pequeninos) e a melhor das imagens esta sempre muito mais ligada as atitudes e maneira de estar que a outra coisa qualquer, sendo fundamental que nos sintamos confortáveis com o que Deus nos deu;

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Vida aleivosa

Percebemos que a vida é uma cadela aleivosa, quando premeia tantos por terem feito tão pouco e se esquece sistematicamente dos que batem com a cabeça na parede todos os dias. 

Pelo mesmo motivo, boa parte das femmes, sente ainda uma atracção monstra pelo prototipo do macho viril, independente e algo insensível (por vezes bruto). Até podem racionalizar, até podem gostar muito da companhia de um “buddy”, mas no fundo no fundo, o prémio vai para o mauzão e o outro cai na “friendzone”.

Coisas estranhas da vida ou resquícios do instinto de sobrevivência e propagação da espécie?

Uma coisa é certa, como diriam os irmão Cohen, este pais não é para velhos e atitude é tudo.

Felicidade

O que é que é melhor para a felicidade? 

Antecipar os problemas, evitando-os, e limitar-mo-nos a uma estabilidade que pode acabar em rotina (e desse modo diluir a felicidade)? 

Ou não antecipar nada e viver a explosão de felicidade que é resolver problemas?

Do mesmo modo numa relação...mais saudável uma coisa quente e assanhada com discussões, "facadas" e "tiros" e reconciliações ou uma coisa hiper calma e estável que faz lembrar o programa “oceano pacifico” da Renascença?

Comprar bilhete ou não

A primeira vez achei engraçado, a segunda coincidência...a terceira só pode ser habito. 

Num comboio, uma equipa de seis "picas" corpulentos entram na carruagem e posicionam-se estrategicamente, não ha escapatórias, começam a verificar os bilhetes e, mais uma vez, só estrangeiros têm título valido (deve ser o momento badboy dos parisienses). As coimas começam a surgir e dos autuados nem ai nem ui, apenas o cartão de credito a aparecer.

Nao houve tentativas de fuga, não houve olhares de carneiro mal morto, não houve desculpas, não houve dialogo.

Esta malta, para além de gostar de pagar coimas, terá noção que não tem sal nem sangue quente na vida?

As saudades que tenho de Lisboa, ai teria sido coisa para haver ali grandes dramas, grandes misérias pessoais, em cada transgressor uma desculpa credível, cada coima a alma de um fado.