Na era da super informação instantânea, uma coisa que me continua encher os pulmões de pujança anímica é a radio.
A radio em directo, perceba-se. Quero dizer, naqueles momentos da pratica da solidão, numa noitada de trabalho, numa madrugada de folia, ou numa viagem matutina (ou até numa depressão dominical), haverá melhor tónico que ouvir pessoas a falar com pessoas? Falando por mim, acho que é bastante revigorante esse sentir que há vida do outro lado, que há mais um dia a começar, que o mundo se move na sua velocidade cruzeiro, independentemente da nossa circunstancia pessoal – No fundo a agradável confirmação de que se nos ficarmos hoje, amanhã haverá um novo dia.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Da frustração...
As recentes separações de alguns mediáticos, bem regadas a "faca e alguidar", de diferente daquilo que acontece aos molhos um pouco por todo o lado, só tem mesmo o facto de aparecerem na capa de alguns periódicos e deixar espaço para que todos opinem com desconhecimento de causa.
Isto para dizer que, em muitíssimos casos, pessoas aparentemente sóbrias e intelectualmente estáveis, entram em descompensação e tomam atitudes que não lembra ao diabo - independentemente do estatuto social, económico ou académico (o nível de conhecimento da populaça é que varia).
Descartando os casamentos por conveniência, ou por imposição familiar, não acredito que essa alteração comportamental inesperada (não sendo por vezes tão inesperada assim) esteja relacionada com o fim propriamente dito, estando muito mais ligada a uma deficiência congénita da digestão de frustrações que assola muitos humanos desde pequeninos.
Em boa verdade, é apenas uma variante madura das birras das crianças e é liquido: Humanos têm dificuldade em lidar com a frustração e só a experiência e maturidade suavizavam essa hecatombe de emoções efervescentes (ou deviam). A realidade prova que, in extremis, a maturidade só refina o método da "birra", numa versão não muito diferente do clássico "se eu não posso ter este brinquedo, mais ninguém pode ter".
Isto leva-me finalmente ao que me traz aqui hoje...é que uma relação (seja de que tipo for), só termina no dia em que termina para uma das partes, na maioria dos casos já terminou para a outra parte muito tempo antes. E é aqui, nesse fim a dois tempos, que reside a violência do fim. O que dilacera não é tanto o fim, mas a confrontação de que não fomos capazes de perceber o que se passava a nossa volta. A frustração de aceitar que o barco zarpou e nos ficamos distraídos no cais "a espera". No limite, a ingestão de termos afincadamente trabalhado e investido num projecto falido.
So a maturidade intelectual poderá suavizar os efeitos desta revolta de sermos confrontados com uma realidade diferente da que tínhamos como referencia. é natural que o agitar do pano que nos serve como chão nos deixe confusos, o que já não é para todos é o recato enquanto durar essa confusão.
Como alguém (Garcia Marquez) disse: "Não chores porque terminou, sorri porque aconteceu", é muito bonito embora mais fácil de dizer do que fazer.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Da greve...
Sexta foi dia de greve geral da função publica. Para ser sincero não conheço profundamente todos os motivos, deixei de os conhecer quando percebi que num grosso das vezes estão em causa estão “direitos adquiridos” e outras coisas que por circunstancias da vida eu nunca adquiri.
Admito que as pessoas andem indignadas, (afinal é chato perder coisas e direitos e tal) e percebo que se manifestem para defender os interesses que são seus. O que tenho mais dificuldade em perceber é que de algum modo essas pessoas achem que os interesses delas são os meus interesses ou os interesses de uma sociedade, ou por si só uma coisa boa.
Em Portugal (e Europa em geral) é, de um ponto de vista socialmente correcto, proibido dizer-mo-nos contra manifestações (ou queixosos ou desfavorecidos) sem se levar automaticamente com o rotulo de ultra-liberal ou estúpido ou insensível .
E isto é hipócrita. É hipócrita porque aqueles que muitas vezes se manifestam , não o fazem por mim ou por nos, mas sim por eles e pelos interesses que lhes dizem estritamente respeito – doa a quem doer. A quem adquiriu direitos, pouco importa abdicar de alguns para os garantir a outros – o descrédito e desconfiança do ser humano para com o ser humano é tanta, que por defeito interessa mais garantir “o meu e dos meus” que dos outros ou nosso.
E desse ponto de vista é tão “terrorista” o carrasco que corta cabeças a eito como os guardiões dos intocáveis que, mesmo após a evidencia de um trajectória suicida, se recusam de forma construtiva a mudar o quer que seja. Faz lembrar um pouco a historia da ilha da Pascoa - uma sociedade que se extinguiu porque se recusou a ver o óbvio: O mundo esta em constante mudança e só os que se adaptam sobrevivem.
Por vezes para seguir em frente é preciso dar um passo atrás, e na vida não somos donos de nada – (só levamos a experiência), pelo que enquanto olharmos para a vida como algo que foi adquirido e não como algo que tem que ser conquistado todos os dias, haverá sempre os que se queixam de barriga cheia.
(tudo isto para dizer que fico indignado com tanto direito e coisa adquirida por parte de quem se instalou na altura certa enquanto outros estão condenados a um futuro cheio de nadas).
PS: Não sou contra as pessoas terem e defenderem continuar a ter (eu também tenho muita coisa que gosto de ter), assumam é que é um interesse pessoal ou de uma classe ou um privilegio. é uma coisa mais do ego que do sócio.
Admito que as pessoas andem indignadas, (afinal é chato perder coisas e direitos e tal) e percebo que se manifestem para defender os interesses que são seus. O que tenho mais dificuldade em perceber é que de algum modo essas pessoas achem que os interesses delas são os meus interesses ou os interesses de uma sociedade, ou por si só uma coisa boa.
Em Portugal (e Europa em geral) é, de um ponto de vista socialmente correcto, proibido dizer-mo-nos contra manifestações (ou queixosos ou desfavorecidos) sem se levar automaticamente com o rotulo de ultra-liberal ou estúpido ou insensível .
E isto é hipócrita. É hipócrita porque aqueles que muitas vezes se manifestam , não o fazem por mim ou por nos, mas sim por eles e pelos interesses que lhes dizem estritamente respeito – doa a quem doer. A quem adquiriu direitos, pouco importa abdicar de alguns para os garantir a outros – o descrédito e desconfiança do ser humano para com o ser humano é tanta, que por defeito interessa mais garantir “o meu e dos meus” que dos outros ou nosso.
E desse ponto de vista é tão “terrorista” o carrasco que corta cabeças a eito como os guardiões dos intocáveis que, mesmo após a evidencia de um trajectória suicida, se recusam de forma construtiva a mudar o quer que seja. Faz lembrar um pouco a historia da ilha da Pascoa - uma sociedade que se extinguiu porque se recusou a ver o óbvio: O mundo esta em constante mudança e só os que se adaptam sobrevivem.
Por vezes para seguir em frente é preciso dar um passo atrás, e na vida não somos donos de nada – (só levamos a experiência), pelo que enquanto olharmos para a vida como algo que foi adquirido e não como algo que tem que ser conquistado todos os dias, haverá sempre os que se queixam de barriga cheia.
(tudo isto para dizer que fico indignado com tanto direito e coisa adquirida por parte de quem se instalou na altura certa enquanto outros estão condenados a um futuro cheio de nadas).
PS: Não sou contra as pessoas terem e defenderem continuar a ter (eu também tenho muita coisa que gosto de ter), assumam é que é um interesse pessoal ou de uma classe ou um privilegio. é uma coisa mais do ego que do sócio.
Da vida...
II
O ser humano é de habituações, e por mais que tenha, quando se habitua a ter, quer mais. É natural – se a ultima coca-cola do deserto me provoca uma imensa felicidade, uma coca-cola todos os dias só me provoca uma dilatação do estômago. E é este “defeito” humano de nos habituarmos ao que temos ao ponto de nos esquecermos ou de deixarmos de saber ser felizes com tudo o que temos, que nos impulsiona para uma trajectória por vezes trágica ou se quisermos egoísta.
É do apanágio popular dizer que só damos valor ao que temos depois de o perdermos e a verdade é que o mundo esta cheio de gente infeliz com tudo, e feliz sem nada. Também não é menos verdade que momentos que nos abanam muito a vida (a chamada experiência de vida), nos fazem valorizar o fundamental – que é a vida. Dai o proverbio “nunca digas esta agua não beberei” – é muito mais um conjunto de circunstancias que nos faz agir, sentir e adoptar certo comportamento, do que a teoria e o que achamos que somos.
Tudo isto para concluir, que o fundamental da infelicidade é inexperiência de vida (o que não significa que infelicidade seja opção).
O ser humano é de habituações, e por mais que tenha, quando se habitua a ter, quer mais. É natural – se a ultima coca-cola do deserto me provoca uma imensa felicidade, uma coca-cola todos os dias só me provoca uma dilatação do estômago. E é este “defeito” humano de nos habituarmos ao que temos ao ponto de nos esquecermos ou de deixarmos de saber ser felizes com tudo o que temos, que nos impulsiona para uma trajectória por vezes trágica ou se quisermos egoísta.
É do apanágio popular dizer que só damos valor ao que temos depois de o perdermos e a verdade é que o mundo esta cheio de gente infeliz com tudo, e feliz sem nada. Também não é menos verdade que momentos que nos abanam muito a vida (a chamada experiência de vida), nos fazem valorizar o fundamental – que é a vida. Dai o proverbio “nunca digas esta agua não beberei” – é muito mais um conjunto de circunstancias que nos faz agir, sentir e adoptar certo comportamento, do que a teoria e o que achamos que somos.
Tudo isto para concluir, que o fundamental da infelicidade é inexperiência de vida (o que não significa que infelicidade seja opção).
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Da vida...
I
A morte de 92 imigrantes no deserto ou os crescentes raptos em Angola e Moçambique (entre outros países) tem uma base comum: Pessoas que saem do seu pais para se abalançarem a hipotéticas condições de vida melhores.
Hipotéticas, porque creio que a maioria sonha sempre com algo que não existe, com algo que é ficcionado. A realidade nunca corresponde a imagem que criamos de determinado pais...a realidade vem trazer uma espécie de equilíbrio – se por um lado os aspectos negativos se revelam menos negativos, os aspectos “de sonho” também se revelam mais banais. Contudo isso é irrelevante...no momento de se atirarem ou deserto ou de se meterem num avião com destino incerto, o que os move é o motor da esperança alimentada pelo desespero que de algum modo se lhes esta entranhado nos ossos.
Aqui reside, a meu ver, a maior das limitações humanas. Se por um lado carências físicas varias motivam ser humanos para desafios tremendos e para um maior desenvolvimento dos vínculos emocionais entre pessoas, por outro lado, uma sociedade prospera tende a ser farta em tudo menos em relações humanas. E se será horrível viver em condições de morte, não deixa de ser frustrante ser infeliz numa sociedade farta e é ai que a nossa limitação animal reside – é que somos capazes de nos sacrificar de vida em busca de alimento, mas dificilmente nos sacrificamos de vida em busca de harmonia em pessoas.
Na verdade, se tivermos de barriguinha cheia, deixa-mo-nos definhar num mundo autista. O mundo será sempre um lugar estranho enquanto for possível haver desequilíbrios tais, que seja aceitável que alguns se sacrifiquem ou sejam sacrificados gratuitamente enquanto outros assistem de mão atadas, ainda que eles próprios envolvidos num novelo em que não e liquido serem felizes e muito menos terem condições de mudarem o quer que seja. Não é que as pessoas sejam egoístas, vivem é “prisioneiras” de uma sociedade maximizada para o consumo e rápido!
(ideia em desenvolvimento...)
A morte de 92 imigrantes no deserto ou os crescentes raptos em Angola e Moçambique (entre outros países) tem uma base comum: Pessoas que saem do seu pais para se abalançarem a hipotéticas condições de vida melhores.
Hipotéticas, porque creio que a maioria sonha sempre com algo que não existe, com algo que é ficcionado. A realidade nunca corresponde a imagem que criamos de determinado pais...a realidade vem trazer uma espécie de equilíbrio – se por um lado os aspectos negativos se revelam menos negativos, os aspectos “de sonho” também se revelam mais banais. Contudo isso é irrelevante...no momento de se atirarem ou deserto ou de se meterem num avião com destino incerto, o que os move é o motor da esperança alimentada pelo desespero que de algum modo se lhes esta entranhado nos ossos.
Aqui reside, a meu ver, a maior das limitações humanas. Se por um lado carências físicas varias motivam ser humanos para desafios tremendos e para um maior desenvolvimento dos vínculos emocionais entre pessoas, por outro lado, uma sociedade prospera tende a ser farta em tudo menos em relações humanas. E se será horrível viver em condições de morte, não deixa de ser frustrante ser infeliz numa sociedade farta e é ai que a nossa limitação animal reside – é que somos capazes de nos sacrificar de vida em busca de alimento, mas dificilmente nos sacrificamos de vida em busca de harmonia em pessoas.
Na verdade, se tivermos de barriguinha cheia, deixa-mo-nos definhar num mundo autista. O mundo será sempre um lugar estranho enquanto for possível haver desequilíbrios tais, que seja aceitável que alguns se sacrifiquem ou sejam sacrificados gratuitamente enquanto outros assistem de mão atadas, ainda que eles próprios envolvidos num novelo em que não e liquido serem felizes e muito menos terem condições de mudarem o quer que seja. Não é que as pessoas sejam egoístas, vivem é “prisioneiras” de uma sociedade maximizada para o consumo e rápido!
(ideia em desenvolvimento...)
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Carrilho e Baba
A recente historia de faca e alguidar entre Barbara e Carrilho, da qual não vou tecer comentários por se tratar da vida privada de cada um, só me faz lembrar o popular ditado “em casa de ferreiro, espero de pau”. O que a realidade e os factos nos evidencia, é que na hora da verdade, quando lhes acontece a eles, quando a pele começa a aquecer, os “especialistas”, deixam de o ser e comportam-se de acordo com o seu intimo. O seu eu interior sai do fundo do iceberg e emerge até ficar visível – sem teorias, sem especialidades. Cada um tal como é – in cold blood.
Isto, porque seria de esperar que um filosofo, professor, ex-ministro, e vivente nos seus 60 anos, tivesse mais senso e inteligência social, antes de vir enxovalhar a futura ex-mulher em praça publica. Não sei os motivos do futuro divorcio e até posso conceber que Carrilho sinta uma profunda revolta e frustração com a futura ex-mulher, o que não compreendo é que ele entre numa lógica de escândalo que só ira provocar danos irreversíveis e consequências desastrosas para ele a para a relação forçada que ira ter com a mulher (e filhos).
Do ponto de vista filosófico, social ou até racional, Carrilho, até ver, tem demonstrado ser simplesmente um idiota e ter um desenvolvimento psicomotor ao nível do rural que queima a ex-namorada com acido, apenas porque não sabe lidar com a rejeição...
Concluo dizendo que é sempre muito mais fácil criticar do que fazer e dai eu pessoalmente ser um pouco adverso a tantos comentadores de bancada, acomodados ao seu lugar de comentadores, mas que na hora da verdade se comportam com alarves. Experiência de vida é tudo.
Isto, porque seria de esperar que um filosofo, professor, ex-ministro, e vivente nos seus 60 anos, tivesse mais senso e inteligência social, antes de vir enxovalhar a futura ex-mulher em praça publica. Não sei os motivos do futuro divorcio e até posso conceber que Carrilho sinta uma profunda revolta e frustração com a futura ex-mulher, o que não compreendo é que ele entre numa lógica de escândalo que só ira provocar danos irreversíveis e consequências desastrosas para ele a para a relação forçada que ira ter com a mulher (e filhos).
Do ponto de vista filosófico, social ou até racional, Carrilho, até ver, tem demonstrado ser simplesmente um idiota e ter um desenvolvimento psicomotor ao nível do rural que queima a ex-namorada com acido, apenas porque não sabe lidar com a rejeição...
Concluo dizendo que é sempre muito mais fácil criticar do que fazer e dai eu pessoalmente ser um pouco adverso a tantos comentadores de bancada, acomodados ao seu lugar de comentadores, mas que na hora da verdade se comportam com alarves. Experiência de vida é tudo.
Acontecer aos outros
Ha um conjunto que coisas que, de certo modo, achamos sempre que so acontecem aos outros até ao dia em que nos acontecem a nos – isto é mais ou menos uma verdade de La Palice.
Depois há o conjunto de coisas que nos acontece a nos e achamos que nunca acontece aos outros – isto é mais ou menos o mindset do português médio típico. Ou seja, ter um mau emprego, ganhar mal, morar numa casa péssima, ter um carro que avaria e um cão que ladra, são coisas que nos acontecem só a nos e nunca aos outros, porque os outros enfrentam uma vida perfeita de sorte espectacular com empregos de sonho e bem remunerados, chefes com inteligência, férias no Cacém de baixo e mulheres de sonho sem ser em sonhos e porque nos merecemos penar por sermos baixos, fracos, feios.
Quando um mamífero humano se destaca do malharal, facilmente se cria a ideia de intocável, ídolo e perfeito e depois há quem acredite mesmo que as pessoas são mesmo imunes a problemas. Como se tivessem tomado um tónico da felicidade ao ponto de os “comuns” se indignarem com a por vezes evidente infelicidade de quem “tem tudo” para ser feliz.
A ver se entendemos, somos todos pessoas, somos todos farinha do mesmo saco e ninguém tem tudo para ser feliz só porque se destacou em determinada área. Os outros são pessoas como nos e, tirando o Chuck Norris, todos podemos estar sujeitos as mesmas provações. Se tivermos que meter tudo numa balança, até diria que quem atinge sucesso esplendoroso em determinada área tem mais dificuldade em encontrar o equilibro nas outras – como se de uma maldição se tratasse.
Portanto, gente infeliz, ressabiada e invejosa (uma boa parte da população do mundo), deixem se comiserarem por si mesmos e mentalizem-se que coisas mas (e boas) acontecem a pessoas boas (e mas), independentemente das virtudes pessoais dos sujeitos na aleatoriedade incrível que caracteriza a vida.
E lembrem-se, até um dos ícones femininos, sexuais, libertinos e outros quejandos (Madonna) já foi vitima de traição, violência domestica e abandono – tal e qual uma dona de casa gordurosa, flácida e desesperada.
Depois há o conjunto de coisas que nos acontece a nos e achamos que nunca acontece aos outros – isto é mais ou menos o mindset do português médio típico. Ou seja, ter um mau emprego, ganhar mal, morar numa casa péssima, ter um carro que avaria e um cão que ladra, são coisas que nos acontecem só a nos e nunca aos outros, porque os outros enfrentam uma vida perfeita de sorte espectacular com empregos de sonho e bem remunerados, chefes com inteligência, férias no Cacém de baixo e mulheres de sonho sem ser em sonhos e porque nos merecemos penar por sermos baixos, fracos, feios.
Quando um mamífero humano se destaca do malharal, facilmente se cria a ideia de intocável, ídolo e perfeito e depois há quem acredite mesmo que as pessoas são mesmo imunes a problemas. Como se tivessem tomado um tónico da felicidade ao ponto de os “comuns” se indignarem com a por vezes evidente infelicidade de quem “tem tudo” para ser feliz.
A ver se entendemos, somos todos pessoas, somos todos farinha do mesmo saco e ninguém tem tudo para ser feliz só porque se destacou em determinada área. Os outros são pessoas como nos e, tirando o Chuck Norris, todos podemos estar sujeitos as mesmas provações. Se tivermos que meter tudo numa balança, até diria que quem atinge sucesso esplendoroso em determinada área tem mais dificuldade em encontrar o equilibro nas outras – como se de uma maldição se tratasse.
Portanto, gente infeliz, ressabiada e invejosa (uma boa parte da população do mundo), deixem se comiserarem por si mesmos e mentalizem-se que coisas mas (e boas) acontecem a pessoas boas (e mas), independentemente das virtudes pessoais dos sujeitos na aleatoriedade incrível que caracteriza a vida.
E lembrem-se, até um dos ícones femininos, sexuais, libertinos e outros quejandos (Madonna) já foi vitima de traição, violência domestica e abandono – tal e qual uma dona de casa gordurosa, flácida e desesperada.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Angola Portugal
A recente tensão Angola-Portugal, embora esteja pintada de muito complexa, é na verdade simples.
De uma lado lideres indubitavelmente corruptos que desejam que nada, nem do outro lado do oceano, seja investigado e que querem manter o seu status quo – ao estilo rico arrogante que não esta para ser investigado.
Do outro lado, um sistema judicial que se diz isento, mas do qual resultou uma fuga ao segredo de justiça e o modo arrogante como lidou com essa fuga - ao estilo são todos uma cambada de corruptos e portanto que importa julgamentos sumários em praça publica?
A acrescentar, o péssimo sentido de oportunidade e de estado do ministro Machete, seria difícil fazer pior e parado e calado errava menos (um relógio parado, esta certo duas vezes por dia).
Finalizando, a ferida aberta só mostra o modo como esta construída a relação aleivosa entre Portugal e Angola...de um lado um portento económico com necessidades de afirmação interna e externamente, do outro, um pais paupérrimo que se diz defensor da ética, mas que faz o que for preciso para receber o soldo.
Inocências e hipocrisias na prateleira, o tema é sensível e as escolhas difíceis...todos somos defensores da ética, justiça e transparência, mas quantos de nos abdicariam do conforto pessoal em prole disso? Diria que o que esta na mesa é uma coisa do tipo “justiça, doa a quem doer” e enfrentamos as consequências (economicamente avassaladoras ) disso, ou então somos uma espécie de prostibulo europeu e mais vale deixar-mo-nos de investigações bacocas e bora mas é fazer negociatas.
Entretanto na minha opinião pessoal, acho que a sério, a sério, a sério, diria que a 89% dos portugueses pouco interessa a corrupção e nível de vida em Angola , desde que facturem o seu e que as coisas mexam e já agora não passem fome. A própria atitude, autista, de muitos dos que la vivem é essa...e como tal, é de facto um pouco hipócrita que se façam investigações em solo português acerca de negócios angolanos, quando tanto esquema e corrupção passa impune em solo nacional. Quem nos houve parece que somos campeões da transparência. Não atires pedras se tens telhados de vidro e não mordas a mão que te alimenta. As vezes parece que estamos em 1973.
De uma lado lideres indubitavelmente corruptos que desejam que nada, nem do outro lado do oceano, seja investigado e que querem manter o seu status quo – ao estilo rico arrogante que não esta para ser investigado.
Do outro lado, um sistema judicial que se diz isento, mas do qual resultou uma fuga ao segredo de justiça e o modo arrogante como lidou com essa fuga - ao estilo são todos uma cambada de corruptos e portanto que importa julgamentos sumários em praça publica?
A acrescentar, o péssimo sentido de oportunidade e de estado do ministro Machete, seria difícil fazer pior e parado e calado errava menos (um relógio parado, esta certo duas vezes por dia).
Finalizando, a ferida aberta só mostra o modo como esta construída a relação aleivosa entre Portugal e Angola...de um lado um portento económico com necessidades de afirmação interna e externamente, do outro, um pais paupérrimo que se diz defensor da ética, mas que faz o que for preciso para receber o soldo.
Inocências e hipocrisias na prateleira, o tema é sensível e as escolhas difíceis...todos somos defensores da ética, justiça e transparência, mas quantos de nos abdicariam do conforto pessoal em prole disso? Diria que o que esta na mesa é uma coisa do tipo “justiça, doa a quem doer” e enfrentamos as consequências (economicamente avassaladoras ) disso, ou então somos uma espécie de prostibulo europeu e mais vale deixar-mo-nos de investigações bacocas e bora mas é fazer negociatas.
Entretanto na minha opinião pessoal, acho que a sério, a sério, a sério, diria que a 89% dos portugueses pouco interessa a corrupção e nível de vida em Angola , desde que facturem o seu e que as coisas mexam e já agora não passem fome. A própria atitude, autista, de muitos dos que la vivem é essa...e como tal, é de facto um pouco hipócrita que se façam investigações em solo português acerca de negócios angolanos, quando tanto esquema e corrupção passa impune em solo nacional. Quem nos houve parece que somos campeões da transparência. Não atires pedras se tens telhados de vidro e não mordas a mão que te alimenta. As vezes parece que estamos em 1973.
Coisas boas
Apanhar uma corrida de táxi em Lisboa, sermos quase abalroados por uma condutora e termos um um taxista que grita "o marido não a coçou a noite e agora deve querer que aqui o taxista a vá coçar, mas não da porque esta murcho". Enquanto o meu colega francês esboça um ar confuso, eu sorriu e lembro-me do porque de preferir o "Zé Manel taxista" ao "Bernard chauffer".
Maravilha.
Maravilha.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Pobre com charme
Ser pobre em Portugal é algo quase tão natural como a sede...ninguém no mundo fica surpreendido por conhecer um pobre português, nem ser pobre é sinonimo de frustração e muito menos significa que a pessoa seja zero a tudo. Simplesmente acontece...Um pais em crise e pobre, tem gente pobre.
Pode até haver o maior incompetente em tudo, preguiçoso, execrável, etc, que até esse se pode esconder no escudo da pobreza da nação e dizer que a culpa não é dele, é do pais.
Para além disso, um pobre em Portugal é mais um..ninguém nota e tem muitos pares. Tanto que as pessoas até chegam a ver charme nisso. É isso, a pobreza em Portugal tem charme...somos mesmo especiais..todos os estrangeiros com que me cruzo e que conhecem Portugal me dizem o mesmo “a nossa pobreza tem piada, tanta que parece propositada”. Enfim, o que lhes digo é que são tantos anos (tipo todos) de pobreza, que transformamos isso em fado e até parece coisa boa. As ruas não estão sujas, têm é personalidade.
Por outro lado, o que será de um pobre na Alemanha? De certeza que muito pior que em Portugal. Não lhe basta ser pobre e quiçá miserável, como ainda tem que viver com frustração de o ser num pais rico. De que lhe vale a riqueza do pais se ele é pobre? Nem nas esmolas ganha mais, pois é sabido que só pobre da esmola. Tudo isso e ainda tem a dupla dose de ele ser, provavelmente, visto como a causa da própria pobreza. Isso e sem piada, nem brio, nem estilo nem charme.
Estamos portanto, os portugueses, em condições de vantagem em relação aos povos europeus....concorrência desleal diria....num mundo e futuro que se prevê de pobreza e mudança, temos 1140 anos de vantagem.
Pode até haver o maior incompetente em tudo, preguiçoso, execrável, etc, que até esse se pode esconder no escudo da pobreza da nação e dizer que a culpa não é dele, é do pais.
Para além disso, um pobre em Portugal é mais um..ninguém nota e tem muitos pares. Tanto que as pessoas até chegam a ver charme nisso. É isso, a pobreza em Portugal tem charme...somos mesmo especiais..todos os estrangeiros com que me cruzo e que conhecem Portugal me dizem o mesmo “a nossa pobreza tem piada, tanta que parece propositada”. Enfim, o que lhes digo é que são tantos anos (tipo todos) de pobreza, que transformamos isso em fado e até parece coisa boa. As ruas não estão sujas, têm é personalidade.
Por outro lado, o que será de um pobre na Alemanha? De certeza que muito pior que em Portugal. Não lhe basta ser pobre e quiçá miserável, como ainda tem que viver com frustração de o ser num pais rico. De que lhe vale a riqueza do pais se ele é pobre? Nem nas esmolas ganha mais, pois é sabido que só pobre da esmola. Tudo isso e ainda tem a dupla dose de ele ser, provavelmente, visto como a causa da própria pobreza. Isso e sem piada, nem brio, nem estilo nem charme.
Estamos portanto, os portugueses, em condições de vantagem em relação aos povos europeus....concorrência desleal diria....num mundo e futuro que se prevê de pobreza e mudança, temos 1140 anos de vantagem.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Relatividade hospitalar
A cereja no topo do bolo da relatividade de tudo, é o ambiente hospitalar.
De facto é um ambiente que pauta por uma hibridez de sentimentos...Recordo-me de uma vez em que fui fazer um exame médico e no momento em que fui surpreendido por um resultado que não era o esperado, no exacto do momento em que o chão parecia flutuar, em que o mundo parecia que ia acabar, não é que o raio do técnico decidiu ligar a um amigo para combinar um ida ao cinema?
Assim, enquanto eu via (no calor do momento) a minha vida andar para trás , alguém estava apenas a fazer o seu trabalho, a sua rotina, mais um dia – e bom pelo vistos!
É assim que vejo os ambientes hospitalares....sítios marcantes e altamente pesados do ponto de vista sentimental para uns e ao mesmo tempo, aprazíveis locais de trabalho e de vida para outros.
Nunca alegria, normalidade e tristeza habitaram tão bem o mesmo espaço...Chamem-me sentimentalista, mas acho que haveria de haver um decreto que proibisse que profissionais da saúde de actuarem como pessoas felizes da vida no momento em que outros recebem de chofre a noticia de que eles ou os deles têm não sei que não sei onde.
Ao mesmo tempo, acho o ambiente interessante...Este convívio tristeza/banalidade mais não é que uma prova (mais) uma, que na vida só custa o habito, o resto é rotina.
De facto é um ambiente que pauta por uma hibridez de sentimentos...Recordo-me de uma vez em que fui fazer um exame médico e no momento em que fui surpreendido por um resultado que não era o esperado, no exacto do momento em que o chão parecia flutuar, em que o mundo parecia que ia acabar, não é que o raio do técnico decidiu ligar a um amigo para combinar um ida ao cinema?
Assim, enquanto eu via (no calor do momento) a minha vida andar para trás , alguém estava apenas a fazer o seu trabalho, a sua rotina, mais um dia – e bom pelo vistos!
É assim que vejo os ambientes hospitalares....sítios marcantes e altamente pesados do ponto de vista sentimental para uns e ao mesmo tempo, aprazíveis locais de trabalho e de vida para outros.
Nunca alegria, normalidade e tristeza habitaram tão bem o mesmo espaço...Chamem-me sentimentalista, mas acho que haveria de haver um decreto que proibisse que profissionais da saúde de actuarem como pessoas felizes da vida no momento em que outros recebem de chofre a noticia de que eles ou os deles têm não sei que não sei onde.
Ao mesmo tempo, acho o ambiente interessante...Este convívio tristeza/banalidade mais não é que uma prova (mais) uma, que na vida só custa o habito, o resto é rotina.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Acontecer o que acontece aos outros
A vida seria muito mais fácil se fosse simples fazer aquilo que racionalmente sabemos dever ser feito. Mas a triste verdade é que, amiúde e para a maioria, apesar de tantas vezes sabermos o que fazer, de tantas vezes nos mentalizarmos que em determinada situação, agiríamos de determinada maneira e de tantas vezes nos surpreendermos até com a reacção (estúpida) que pessoas têm a determinados estímulos, a verdade (verdadinha) é que na hora da decisão, quando nos calha a nos o que só acontece aos outros...ai tudo muda....
Vai-se o racional e vem o o emocional. E ai, apesar de termos passado a vida a achar racionalmente que sabíamos o que fazer, percebemos que afinal não – na vida e nos grande estímulos, a maneira como reagimos é o acumulado da nossa experiência de vida e não o acumulado de enciclopédias lidas.
Tudo isto para concluir duas coisas:
Especialistas em determinadas áreas podem ter falhado nessas áreas que não deixam de ser especialistas e competentes por isso (por exemplo conselheiros matrimoniais ou psicólogos);
Senhoras e Mulheres que se escandalizam por que outras senhoras, mulheres ou jovens admitem coisas que elas nunca admitiriam só significa que as primeiras têm falta de experiência de vida e ainda acreditam no pai natal ou então insistem em continuar no erro de não aceitar que na vida todos temos altos e baixos e que nos altos é sempre fácil e simples tomar decisões pragmáticas, mas que nos baixos tudo se torna turvo e desfocado.
E quem diz senhoras e mulheres, diz outra coisa qualquer....eu é que sou o género de individuo que faz distinções de género.
Vai-se o racional e vem o o emocional. E ai, apesar de termos passado a vida a achar racionalmente que sabíamos o que fazer, percebemos que afinal não – na vida e nos grande estímulos, a maneira como reagimos é o acumulado da nossa experiência de vida e não o acumulado de enciclopédias lidas.
Tudo isto para concluir duas coisas:
Especialistas em determinadas áreas podem ter falhado nessas áreas que não deixam de ser especialistas e competentes por isso (por exemplo conselheiros matrimoniais ou psicólogos);
Senhoras e Mulheres que se escandalizam por que outras senhoras, mulheres ou jovens admitem coisas que elas nunca admitiriam só significa que as primeiras têm falta de experiência de vida e ainda acreditam no pai natal ou então insistem em continuar no erro de não aceitar que na vida todos temos altos e baixos e que nos altos é sempre fácil e simples tomar decisões pragmáticas, mas que nos baixos tudo se torna turvo e desfocado.
E quem diz senhoras e mulheres, diz outra coisa qualquer....eu é que sou o género de individuo que faz distinções de género.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Secret Porn
Depois do que me explicaram hoje, fiquei com a ideia de que se alguém assumir aqui que tem uma conta no youporn para ver nos sábados à noite, é depravado e tarado, mas que se vir sexo ao vivo debaixo de lençóis todos os dias (secret story), e em família, esta dentro da maioria dos telespectadores e portanto porreiro.
Conclusões a tirar:
Contas no youporn são inúteis;
Como é que me distrai e secret story já vai na sexta edição e eu não vi um sequer episódio?
Conclusões a tirar:
Contas no youporn são inúteis;
Como é que me distrai e secret story já vai na sexta edição e eu não vi um sequer episódio?
Estação de serviço
Numa estação serviço perdida, entro com objecto de encher o depósito e enquanto me degladio com um funcionário franzino e intimidado (parece que é complicado atestar viaturas às três da manha), ouve-se do fundo um ruído de algazarra. Quatro maduros bebem cervejas, ébrios e de cara envermelhada, falam alto e gabam-se dos feitos que (não) fizeram e discutem motores de Porsche Carrera, tudo isso talvez numa tentativa de acreditarem neles próprios ou talvez na esperança de abafar o ruído ensurdecedor do silêncio de uma vida de solidão que lhes esta marcada a ferros nas rugas da cara e no abdómen dilatado.
Olho despercebidamente, e tiro uma foto ao momento enquanto penso no valor e na diferença que uma mulher traz à vida - seja como companheira, como amiga ou como simples camarada numa noite de copos. O sol quando nasce é para todos, mas só algumas flores o tornam dourado.
Olho despercebidamente, e tiro uma foto ao momento enquanto penso no valor e na diferença que uma mulher traz à vida - seja como companheira, como amiga ou como simples camarada numa noite de copos. O sol quando nasce é para todos, mas só algumas flores o tornam dourado.
Feios e Enjeitados
Estou em crer que a maioria dos feios e enjeitados do mundo daria um rim para estar no grupo dos bonitos e charmosos. E esta moeda a dar em troca por uma tromba linda aumenta na mesma medida que a burrice dos sujeitos e sujeitas - a crescente conta bancaria de qualquer artista da estética é prova disso, embora essa demanda seja algo infrutífera pois é sabido que não há mulheres feias (o que há é mulheres mal arranjadas) e que o maior charme de um homem não esta nos abdominais tonificados, mas sim na atitude.
Excluindo os outsiders, ou seja aqueles que são mesmo horríveis ou com um hálito a favas com chouriço, há na verdade muito mais vantagens em ser feinha ou feinho que bela e arrasador. Vejamos (para ler num misto de boa disposição com verdades pelo meio):
As feias podem ter sempre a certeza que os seus amores as amam pelo seu carácter e personalidade e não porque o gajo quer dar umas boas;
As feias não são vitimas de assédio sexual e é menos provável que sejam violadas;
As feias não são vitimas da inveja das amigas giras;
As feias, por partirem de uma desvantagem, são mais empenhadas nas relações e como tal com mais probabilidade de sucesso em relações duradouras;
As feias têm que se esforçar mais para serem atraentes e com tal refinam o bom gosto, ao que as bonitas podem facilmente cair no conceito de “ar de badalhoca”;
As feias têm menos depressão pós parto, porque já eram menos atraentes;
A burrice quando aparece concomitantemente com a beleza da geralmente resultados mais catastróficos (do ponto de vista da infelicidade) do que a combinação feiura + burrice;
Pessoas bonitas divorciam-se mais, pois ao serem atractivas, atraem naturalmente outras pessoas e podem criar-se oportunidades e dilemas a que as feias e feios não têm que se sujeitar nem predicar (ao estilo de fidelidade por falta de oportunidade).
Preconceitos e generalizações aparte, a imagem interfere de facto naquilo que somos e sem duvida que não é liquido que ter mais beleza física constitua de facto uma vantagem para o caminho da felicidade (excepto para os que querem ser modelos desde pequeninos) e a melhor das imagens esta sempre muito mais ligada as atitudes e maneira de estar que a outra coisa qualquer, sendo fundamental que nos sintamos confortáveis com o que Deus nos deu;
Excluindo os outsiders, ou seja aqueles que são mesmo horríveis ou com um hálito a favas com chouriço, há na verdade muito mais vantagens em ser feinha ou feinho que bela e arrasador. Vejamos (para ler num misto de boa disposição com verdades pelo meio):
As feias podem ter sempre a certeza que os seus amores as amam pelo seu carácter e personalidade e não porque o gajo quer dar umas boas;
As feias não são vitimas de assédio sexual e é menos provável que sejam violadas;
As feias não são vitimas da inveja das amigas giras;
As feias, por partirem de uma desvantagem, são mais empenhadas nas relações e como tal com mais probabilidade de sucesso em relações duradouras;
As feias têm que se esforçar mais para serem atraentes e com tal refinam o bom gosto, ao que as bonitas podem facilmente cair no conceito de “ar de badalhoca”;
As feias têm menos depressão pós parto, porque já eram menos atraentes;
A burrice quando aparece concomitantemente com a beleza da geralmente resultados mais catastróficos (do ponto de vista da infelicidade) do que a combinação feiura + burrice;
Pessoas bonitas divorciam-se mais, pois ao serem atractivas, atraem naturalmente outras pessoas e podem criar-se oportunidades e dilemas a que as feias e feios não têm que se sujeitar nem predicar (ao estilo de fidelidade por falta de oportunidade).
Preconceitos e generalizações aparte, a imagem interfere de facto naquilo que somos e sem duvida que não é liquido que ter mais beleza física constitua de facto uma vantagem para o caminho da felicidade (excepto para os que querem ser modelos desde pequeninos) e a melhor das imagens esta sempre muito mais ligada as atitudes e maneira de estar que a outra coisa qualquer, sendo fundamental que nos sintamos confortáveis com o que Deus nos deu;
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Vida aleivosa
Percebemos que a vida é uma cadela aleivosa, quando premeia tantos por terem feito tão pouco e se esquece sistematicamente dos que batem com a cabeça na parede todos os dias.
Pelo mesmo motivo, boa parte das femmes, sente ainda uma atracção monstra pelo prototipo do macho viril, independente e algo insensível (por vezes bruto). Até podem racionalizar, até podem gostar muito da companhia de um “buddy”, mas no fundo no fundo, o prémio vai para o mauzão e o outro cai na “friendzone”.
Coisas estranhas da vida ou resquícios do instinto de sobrevivência e propagação da espécie?
Uma coisa é certa, como diriam os irmão Cohen, este pais não é para velhos e atitude é tudo.
Pelo mesmo motivo, boa parte das femmes, sente ainda uma atracção monstra pelo prototipo do macho viril, independente e algo insensível (por vezes bruto). Até podem racionalizar, até podem gostar muito da companhia de um “buddy”, mas no fundo no fundo, o prémio vai para o mauzão e o outro cai na “friendzone”.
Coisas estranhas da vida ou resquícios do instinto de sobrevivência e propagação da espécie?
Uma coisa é certa, como diriam os irmão Cohen, este pais não é para velhos e atitude é tudo.
Felicidade
O que é que é melhor para a felicidade?
Antecipar os problemas, evitando-os, e limitar-mo-nos a uma estabilidade que pode acabar em rotina (e desse modo diluir a felicidade)?
Ou não antecipar nada e viver a explosão de felicidade que é resolver problemas?
Do mesmo modo numa relação...mais saudável uma coisa quente e assanhada com discussões, "facadas" e "tiros" e reconciliações ou uma coisa hiper calma e estável que faz lembrar o programa “oceano pacifico” da Renascença?
Antecipar os problemas, evitando-os, e limitar-mo-nos a uma estabilidade que pode acabar em rotina (e desse modo diluir a felicidade)?
Ou não antecipar nada e viver a explosão de felicidade que é resolver problemas?
Do mesmo modo numa relação...mais saudável uma coisa quente e assanhada com discussões, "facadas" e "tiros" e reconciliações ou uma coisa hiper calma e estável que faz lembrar o programa “oceano pacifico” da Renascença?
Comprar bilhete ou não
A primeira vez achei engraçado, a segunda coincidência...a terceira só pode ser habito.
Num comboio, uma equipa de seis "picas" corpulentos entram na carruagem e posicionam-se estrategicamente, não ha escapatórias, começam a verificar os bilhetes e, mais uma vez, só estrangeiros têm título valido (deve ser o momento badboy dos parisienses). As coimas começam a surgir e dos autuados nem ai nem ui, apenas o cartão de credito a aparecer.
Nao houve tentativas de fuga, não houve olhares de carneiro mal morto, não houve desculpas, não houve dialogo.
Esta malta, para além de gostar de pagar coimas, terá noção que não tem sal nem sangue quente na vida?
As saudades que tenho de Lisboa, ai teria sido coisa para haver ali grandes dramas, grandes misérias pessoais, em cada transgressor uma desculpa credível, cada coima a alma de um fado.
Num comboio, uma equipa de seis "picas" corpulentos entram na carruagem e posicionam-se estrategicamente, não ha escapatórias, começam a verificar os bilhetes e, mais uma vez, só estrangeiros têm título valido (deve ser o momento badboy dos parisienses). As coimas começam a surgir e dos autuados nem ai nem ui, apenas o cartão de credito a aparecer.
Nao houve tentativas de fuga, não houve olhares de carneiro mal morto, não houve desculpas, não houve dialogo.
Esta malta, para além de gostar de pagar coimas, terá noção que não tem sal nem sangue quente na vida?
As saudades que tenho de Lisboa, ai teria sido coisa para haver ali grandes dramas, grandes misérias pessoais, em cada transgressor uma desculpa credível, cada coima a alma de um fado.
Diálogos...
ELE: Não ficas surpreendido com a facilidade com que as pessoas se entregam sexualmente hoje em dia?
O OUTRO: Não...dizes isso porque o sexo ainda é tabu e coloca-lo num pedestal em que não devia estar. Hoje em dia as pessoas são mais livres e com menos pudor de viver prazeres momentaneamente.
ELE: Mas não achas que a sexualidade é um momento especial e indelével, intimo e que para ser valorizado não deve ser banalizado?
O OUTRO: Não, isso são coisas da moral e de anos de imposição religiosa. O homem deve estar mais próximo dos seus desejos, instintos e não se deve sentir limitado em partilhar a sua intimidade e desejos.
ELE: Certo, mas a copula do amor implica a entrega de um corpo contra o outro, implica energia, implica vontade, implica
partilha...não achas que isso deve ser algo reservado e limitado?
O OUTRO: A vida hoje em dia é demasiado instável, imprevisível e efémera e o sexo é apenas mais um reflexo disso.
Foi então que ELE percebeu que a confusão com o OUTRO se devia a ter feito muito mais amor do que sexo..
O OUTRO: Não...dizes isso porque o sexo ainda é tabu e coloca-lo num pedestal em que não devia estar. Hoje em dia as pessoas são mais livres e com menos pudor de viver prazeres momentaneamente.
ELE: Mas não achas que a sexualidade é um momento especial e indelével, intimo e que para ser valorizado não deve ser banalizado?
O OUTRO: Não, isso são coisas da moral e de anos de imposição religiosa. O homem deve estar mais próximo dos seus desejos, instintos e não se deve sentir limitado em partilhar a sua intimidade e desejos.
ELE: Certo, mas a copula do amor implica a entrega de um corpo contra o outro, implica energia, implica vontade, implica
partilha...não achas que isso deve ser algo reservado e limitado?
O OUTRO: A vida hoje em dia é demasiado instável, imprevisível e efémera e o sexo é apenas mais um reflexo disso.
Foi então que ELE percebeu que a confusão com o OUTRO se devia a ter feito muito mais amor do que sexo..
Outono em Paris
O Outono já chegou a Paris...As noites estão frescas, as manhas também e já sabem bem as bebidas quentes e o conforto de umas mangas de um casaco. Chuva pode acontecer, mas a cidade esta vibrante e agradavelmente luminosa. Paris é sem duvida uma cidade de Outono...a estação perfeita onde tudo parece encaixar...até os jardins parecem ter toda um dimensão outonal e os telhados negros dos edifícios ou a cor oxidada da torre que se vê de todo o lado dão uma atmosfera muito cinematográfica e ao mesmo tempo bastante revigorante, como uma verdadeira "rentrée" onde nos sentimos num filme cheio de glamour (e caraças, somos actores principais).
E esta simbiose de Paris e o Outono é interessante, especialmente porque sempre me esteve associada a um certo "mise en scène" francês – Lembra-me uma fase, por esta altura, em que me perdia nas salas do cinema S. Jorge entre as estreias e reposições que me trazia a “festa do cinema francês”. E durante anos foi assim – Não havia Setembro e Outono sem os filmes franceses e no baú das memorias ternas, tenho umas quantas das primeiras tardes menos quentes naquele imaginário - onde sem querer nos projectamos sempre um bocadinho. É com um sorriso aprazível que me lembro disso, dessas imagens, das longas metragens, das mãos dadas ou só imaginadas, das conversas do antes e do depois, e dos passeios na Av. Da Liberdade e, logo agora, que, sem querer, passei de espectador a personagem.
São assim os mistérios insondáveis que a vida nos guarda.
E esta simbiose de Paris e o Outono é interessante, especialmente porque sempre me esteve associada a um certo "mise en scène" francês – Lembra-me uma fase, por esta altura, em que me perdia nas salas do cinema S. Jorge entre as estreias e reposições que me trazia a “festa do cinema francês”. E durante anos foi assim – Não havia Setembro e Outono sem os filmes franceses e no baú das memorias ternas, tenho umas quantas das primeiras tardes menos quentes naquele imaginário - onde sem querer nos projectamos sempre um bocadinho. É com um sorriso aprazível que me lembro disso, dessas imagens, das longas metragens, das mãos dadas ou só imaginadas, das conversas do antes e do depois, e dos passeios na Av. Da Liberdade e, logo agora, que, sem querer, passei de espectador a personagem.
São assim os mistérios insondáveis que a vida nos guarda.
11 de Setembro
Um dia depois do aniversario do 11/09, começo por dizer que gosto de árabes...não do fundamentalismo (já la vamos), mas eu, que até já vivi uma temporada da minha vida num pais muçulmano, gosto da cultura árabe, das ruas cheias de gente, do modo de fazer comercio, de como tudo pode ser caótico, dos cheiros (alguns maus), dos mercados, dos ladrões com cara de ladrões, das regras (inexistentes) de condução , da maneira ilegal de trocar de divisas, do tipo e modo de beber café, das cabeças de borrego espetadas em paus a venda, do orgulho na contrafacção, dos controlos antes de apanhar um avião, do Ramadão (ok, nem tanto assim), dos 24 toques de Ala, das discotecas (isso é uma historia só “per si”) e até da forma (“astuta”) de como as mulheres se conseguem mostrar disponíveis para “o amor”. Enfim, podia passar dias a escrever e a contar historias e estorias , que a vida em países árabes é, resumidamente, uma aventura todos os dias e substancialmente diferente daquilo que se imagina.
Contudo os “meus” árabes não encaixam exactamente no perfil puramente fundamentalista. Quando leio que uma criança de 8 anos, morreu no Yeman devido a lesões internas provocadas durante a noite de núpcias (isso) depois de ter levado (isso) com o marido de 40 (anos), fico agonizado. É essa a vida de mulheres no médio oriente...na melhor (pior) das hipóteses, sobrevivem a noite de núpcias e vivem com cadelas (isso) o resto da vida, na pior (melhor) morrem logo no acto da desvirginização – nunca esse acontecimento deve ter sido tão determinante na vida de uma senhora.
Diz-se que os árabes do médio-oriente vivem na pré-historia. Bem que eu saiba, na pre-historia dava-se com paus nas cabeças das pessoas e vivíamos em grutas, mas, de que haja relatos, não era pratica corrente penetrar meninas até a morte. Também não sei se havia tecnologia para delapidar o clitóris das femme sapiens. Por outro lado, os árabes fundamentalistas de hoje em dia também não vivem em grutas (embora ainda se matem uns ou outros com paus).
Portanto, a questão não é serem atrasados (que o são) – é terem uma cultura que é simplesmente criminosa aos olhos de um homem normal e não me venham cá com respeito por culturas e tradições diferentes que toda e qualquer tolerância é só explicada por covardia e comodismo.
Covardia e comodismo, que no ocidente dito evoluído continuam ser os “plates du jour”. Depois do massacre no Rwanda, podiam os “evoluídos” ter evoluído qualquer coisa?
Bem, podiam..mas na verdade a maioria, depois de noticiado mais um massacre, continua calmamente a jantar e ao mais alto nível diplomático e “humanitário” também não interessa se morrem ou sofrem muitos – o que interessa é se morrem depressa (com armas químicas) ou se morrem devagar (com balas e espadas).
A diplomacia e legitimidade de intervenção de estrangeiros em conflitos internos tem que se lhe diga, e não me vou alongar, mas estaremos cientes (os ocidentais evoluídos) que o nosso modo de viver é verdadeiramente autista num mundo em transformação?
Contudo os “meus” árabes não encaixam exactamente no perfil puramente fundamentalista. Quando leio que uma criança de 8 anos, morreu no Yeman devido a lesões internas provocadas durante a noite de núpcias (isso) depois de ter levado (isso) com o marido de 40 (anos), fico agonizado. É essa a vida de mulheres no médio oriente...na melhor (pior) das hipóteses, sobrevivem a noite de núpcias e vivem com cadelas (isso) o resto da vida, na pior (melhor) morrem logo no acto da desvirginização – nunca esse acontecimento deve ter sido tão determinante na vida de uma senhora.
Diz-se que os árabes do médio-oriente vivem na pré-historia. Bem que eu saiba, na pre-historia dava-se com paus nas cabeças das pessoas e vivíamos em grutas, mas, de que haja relatos, não era pratica corrente penetrar meninas até a morte. Também não sei se havia tecnologia para delapidar o clitóris das femme sapiens. Por outro lado, os árabes fundamentalistas de hoje em dia também não vivem em grutas (embora ainda se matem uns ou outros com paus).
Portanto, a questão não é serem atrasados (que o são) – é terem uma cultura que é simplesmente criminosa aos olhos de um homem normal e não me venham cá com respeito por culturas e tradições diferentes que toda e qualquer tolerância é só explicada por covardia e comodismo.
Covardia e comodismo, que no ocidente dito evoluído continuam ser os “plates du jour”. Depois do massacre no Rwanda, podiam os “evoluídos” ter evoluído qualquer coisa?
Bem, podiam..mas na verdade a maioria, depois de noticiado mais um massacre, continua calmamente a jantar e ao mais alto nível diplomático e “humanitário” também não interessa se morrem ou sofrem muitos – o que interessa é se morrem depressa (com armas químicas) ou se morrem devagar (com balas e espadas).
A diplomacia e legitimidade de intervenção de estrangeiros em conflitos internos tem que se lhe diga, e não me vou alongar, mas estaremos cientes (os ocidentais evoluídos) que o nosso modo de viver é verdadeiramente autista num mundo em transformação?
Ensino Superior
A lista de colocados no ensino superior é reveladora – Muitos dos cursos de engenharia civil não tiveram um único colocado, a maioria não teve mais de meia-dúzia e não houve uma única instituição a encher as vagas todas (nem os “creme de la creme” IST e FEUP).
Os motivos parecem-me óbvios, num pais em crise e com desinvestimento, o sector da construção é dos mais penalizados, contudo isso não justifica tudo, até porque há cursos cujas saídas profissionais são igualmente redutoras (ou piores) – por exemplo arquitectura ou enfermagem (mas não só), e tiveram ocupação praticamente total e com médias dignas de respeito.
Se por uma lado podemos discutir o excesso de oferta no ensino “engenhararia” – Um barracão e uns enjeitados facilmente obtêm uma licença de ensino, há outras conclusões a retirar:
O que me parece clarividente e conclusivo é que muitas pessoas continuam e continuarão a escolher cursos que independentemente de terem “saídas”, correspondem de alguma forma aquilo que acreditam ser a sua vocação e por outro lado a engenharia nunca foi uma escolha “por vocação”, mas sim pela vida sumptuosa e regada de luxos e bom gosto que caracteriza os engenheiros. Ninguém escolhe engenharia porque “gosta muito e deseja ser gestor de cenas para sempre” ou porque “tenho vocação para ajudar pobres” ou porque “sou criativo” ou “gosto de fazer desenhos”. Engenharia é profissão filha da mãe e as pessoas escolhem isso pelo retorno que isso possa representar (ponto).
(e quem diz engenharia, diz gestão, economia e outros quejandos mais dados aos resultados que aos sentimentos do praticante – ninguém me convence que alguém escolhe contabilidade ou finanças porque adora passar os dias a fazer balancetes e encontros de contas).
No meio disto tudo, só fico sem perceber o que leva centenas de milhar de pessoas a escolher direito (embora criativa, não é profissão dada a grandes aforismos sentimentais), penso que só pode ser pelas séries americanas cheias de advogadas (os) giras (os) e cheios de estilo e que resolvem problemas com mais pinta e glamour com que o seios (Pamela) resgatavam incautos do mar californiano.
Quanto a rede de politécnicos que brotou, no Portugal burguês dos anos 90, como cogumelos...é para fechar mesmo quando?
Os motivos parecem-me óbvios, num pais em crise e com desinvestimento, o sector da construção é dos mais penalizados, contudo isso não justifica tudo, até porque há cursos cujas saídas profissionais são igualmente redutoras (ou piores) – por exemplo arquitectura ou enfermagem (mas não só), e tiveram ocupação praticamente total e com médias dignas de respeito.
Se por uma lado podemos discutir o excesso de oferta no ensino “engenhararia” – Um barracão e uns enjeitados facilmente obtêm uma licença de ensino, há outras conclusões a retirar:
O que me parece clarividente e conclusivo é que muitas pessoas continuam e continuarão a escolher cursos que independentemente de terem “saídas”, correspondem de alguma forma aquilo que acreditam ser a sua vocação e por outro lado a engenharia nunca foi uma escolha “por vocação”, mas sim pela vida sumptuosa e regada de luxos e bom gosto que caracteriza os engenheiros. Ninguém escolhe engenharia porque “gosta muito e deseja ser gestor de cenas para sempre” ou porque “tenho vocação para ajudar pobres” ou porque “sou criativo” ou “gosto de fazer desenhos”. Engenharia é profissão filha da mãe e as pessoas escolhem isso pelo retorno que isso possa representar (ponto).
(e quem diz engenharia, diz gestão, economia e outros quejandos mais dados aos resultados que aos sentimentos do praticante – ninguém me convence que alguém escolhe contabilidade ou finanças porque adora passar os dias a fazer balancetes e encontros de contas).
No meio disto tudo, só fico sem perceber o que leva centenas de milhar de pessoas a escolher direito (embora criativa, não é profissão dada a grandes aforismos sentimentais), penso que só pode ser pelas séries americanas cheias de advogadas (os) giras (os) e cheios de estilo e que resolvem problemas com mais pinta e glamour com que o seios (Pamela) resgatavam incautos do mar californiano.
Quanto a rede de politécnicos que brotou, no Portugal burguês dos anos 90, como cogumelos...é para fechar mesmo quando?
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Engenharia por vocação
A lista de colocados no ensino superior é reveladora – Muitos dos cursos de engenharia civil não tiveram um único colocado, a maioria não teve mais de meia-dúzia e não houve uma única instituição a encher as vagas todas (nem os “creme de la creme” IST e FEUP).
Os motivos parecem-me óbvios, num pais em crise e com desinvestimento, o sector da construção é dos mais penalizados, contudo isso não justifica tudo, até porque há cursos cujas saídas profissionais são igualmente redutoras (ou piores) – por exemplo arquitectura ou enfermagem (mas não só), e tiveram ocupação praticamente total e com médias dignas de respeito.
Se por uma lado podemos discutir o excesso de oferta no ensino “engenhararia” – Um barracão e uns enjeitados facilmente obtêm uma licença de ensino, há outras conclusões a retirar:
O que me parece clarividente e conclusivo é que muitas pessoas continuam e continuarão a escolher cursos que independentemente de terem “saídas”, correspondem de alguma forma aquilo que acreditam ser a sua vocação e por outro lado a engenharia nunca foi uma escolha “por vocação”, mas sim pela vida sumptuosa e regada de luxos e bom gosto que caracteriza os engenheiros. Ninguém escolhe engenharia porque “gosta muito e deseja ser gestor de cenas para sempre” ou porque “tenho vocação para ajudar pobres” ou porque “sou criativo” ou “gosto de fazer desenhos”. Engenharia é profissão filha da mãe e as pessoas escolhem isso pelo retorno que isso possa representar (ponto).
(e quem diz engenharia, diz gestão, economia e outros quejandos mais dados aos resultados que aos sentimentos do praticante – ninguém me convence que alguém escolhe contabilidade ou finanças porque adora passar os dias a fazer balancetes e encontros de contas).
No meio disto tudo, só fico sem perceber o que leva centenas de milhar de pessoas a escolher direito (embora criativa, não é profissão dada a grandes aforismos sentimentais), penso que só pode ser pelas séries americanas cheias de advogadas (os) giras (os) e cheios de estilo e que resolvem problemas com mais pinta e glamour com que o seios (Pamela) resgatavam incautos do mar californiano.
Quanto a rede de politécnicos que brotou, no Portugal burguês dos anos 90, como cogumelos...é para fechar mesmo quando?
Os motivos parecem-me óbvios, num pais em crise e com desinvestimento, o sector da construção é dos mais penalizados, contudo isso não justifica tudo, até porque há cursos cujas saídas profissionais são igualmente redutoras (ou piores) – por exemplo arquitectura ou enfermagem (mas não só), e tiveram ocupação praticamente total e com médias dignas de respeito.
Se por uma lado podemos discutir o excesso de oferta no ensino “engenhararia” – Um barracão e uns enjeitados facilmente obtêm uma licença de ensino, há outras conclusões a retirar:
O que me parece clarividente e conclusivo é que muitas pessoas continuam e continuarão a escolher cursos que independentemente de terem “saídas”, correspondem de alguma forma aquilo que acreditam ser a sua vocação e por outro lado a engenharia nunca foi uma escolha “por vocação”, mas sim pela vida sumptuosa e regada de luxos e bom gosto que caracteriza os engenheiros. Ninguém escolhe engenharia porque “gosta muito e deseja ser gestor de cenas para sempre” ou porque “tenho vocação para ajudar pobres” ou porque “sou criativo” ou “gosto de fazer desenhos”. Engenharia é profissão filha da mãe e as pessoas escolhem isso pelo retorno que isso possa representar (ponto).
(e quem diz engenharia, diz gestão, economia e outros quejandos mais dados aos resultados que aos sentimentos do praticante – ninguém me convence que alguém escolhe contabilidade ou finanças porque adora passar os dias a fazer balancetes e encontros de contas).
No meio disto tudo, só fico sem perceber o que leva centenas de milhar de pessoas a escolher direito (embora criativa, não é profissão dada a grandes aforismos sentimentais), penso que só pode ser pelas séries americanas cheias de advogadas (os) giras (os) e cheios de estilo e que resolvem problemas com mais pinta e glamour com que o seios (Pamela) resgatavam incautos do mar californiano.
Quanto a rede de politécnicos que brotou, no Portugal burguês dos anos 90, como cogumelos...é para fechar mesmo quando?
Mais autarquicas
Estas autárquicas estão de facto a ser excitantes , uma verdadeira profilaxia para o bom humor e para nos relembrarmos que somos o povo mais interessante do mundo – sempre com boa disposição.
Para além da boa disposição, as eleições autárquicas parecem ter um imenso efeito catalisador na simpatia generalizada das pessoas e candidatos. Tem sido amiúde que sou interpolado (e sou apenas residente de fim de semana) por jovens candidatos sorridentes e disponíveis para discutir os problemas do “nosso bairro”. Deve ser um fenómeno astronómico, este que transforma, de 4 em 4 anos, gente normal em mister comunicação – é giro.
Esta certo que a politica é um jogo e uma festa, mas temos o que merecemos: A maioria prefere o “tipo fanfarrão (e talvez até bully) que é popular e charlatão” e pretere o “tipo que até tem ar de esperto, mas é meio calado e xoninhas” – No fundo escolhemos os lideres quase com o mesmo critério que escolheríamos uma cara metade (e ninguém escolhe, se tiver por onde escolher, tonhos) e isto é muito nosso: Podemos ser “uns ratos” mas ao fim do dia ou naquele jantar de amigos ou família, haveremos de ser o maiores, haveremos de ter mandado todos a merda, haveremos de ter feito isto e aquilo – São raros os portugueses que admitem de forma descomplexada que são tipos banais e que na maioria das vezes se “deixam comer”.
E é isto, o poder da imagem (ou uma imagem de poder), não é tudo ( mas é quase! ) e mais importante que saber fazer, é parecer que se sabe fazer.
Eu no meu caso só lamento é que ainda haja muitos mais candidatos que candidatas (giras de preferência).
Para além da boa disposição, as eleições autárquicas parecem ter um imenso efeito catalisador na simpatia generalizada das pessoas e candidatos. Tem sido amiúde que sou interpolado (e sou apenas residente de fim de semana) por jovens candidatos sorridentes e disponíveis para discutir os problemas do “nosso bairro”. Deve ser um fenómeno astronómico, este que transforma, de 4 em 4 anos, gente normal em mister comunicação – é giro.
Esta certo que a politica é um jogo e uma festa, mas temos o que merecemos: A maioria prefere o “tipo fanfarrão (e talvez até bully) que é popular e charlatão” e pretere o “tipo que até tem ar de esperto, mas é meio calado e xoninhas” – No fundo escolhemos os lideres quase com o mesmo critério que escolheríamos uma cara metade (e ninguém escolhe, se tiver por onde escolher, tonhos) e isto é muito nosso: Podemos ser “uns ratos” mas ao fim do dia ou naquele jantar de amigos ou família, haveremos de ser o maiores, haveremos de ter mandado todos a merda, haveremos de ter feito isto e aquilo – São raros os portugueses que admitem de forma descomplexada que são tipos banais e que na maioria das vezes se “deixam comer”.
E é isto, o poder da imagem (ou uma imagem de poder), não é tudo ( mas é quase! ) e mais importante que saber fazer, é parecer que se sabe fazer.
Eu no meu caso só lamento é que ainda haja muitos mais candidatos que candidatas (giras de preferência).
Autarquicas
Para aqueles que acham "Gaiola dourada", um filme com demasiados clichés e que passa uma ideia demasiado simplória do portuguesismo, deviam estar mais atentos às eleições autárquicas. Sem duvida, a melhor comédia do ano e surreal ao ponto de envergonhar um qualquer David Linch.
É tao natural e bucólico, que seria impossível ser imaginado.
Ao mesmo tempo, ha obvias oportunidades na área do design gráfico, marketing e comunicação...um caso de estudo.
É tao natural e bucólico, que seria impossível ser imaginado.
Ao mesmo tempo, ha obvias oportunidades na área do design gráfico, marketing e comunicação...um caso de estudo.
Numa fila, quatro mulheres árabes de burca enfiada, confraternizam entre si e consultam os seus smartphones com a pagina do FB em aberto...
Sou só eu, ou nos dias de hoje é um bocado ridículo "cobrir" a cara da mulher, para depois deixar em aberto a face das redes sociais?
Sou só eu, ou nos dias de hoje é um bocado ridículo "cobrir" a cara da mulher, para depois deixar em aberto a face das redes sociais?
Paris VS Lisboa
Coisas que vejo:
O nível de vida em Paris, não é absurdamente mais caro do que em Lisboa. Ha até coisas mais baratas, isto excluindo os cafés da "champs elysees" e "champs de mars". é certo que os hotéis são estupidamente caros e comer fora no centro de Paris tem tanto de agradável, chic e sofisticado como de estupidamente dispendioso.
A habitação também é, em norma, mais cara e de inferior qualidade, mas os automóveis e transportes públicos são bastante em conta e a rede, nível de serviço e segurança bastante aceitáveis. As grandes cadeias internacionais (Zara, H&M, etc) vendem ao mesmo preço e o resto anda ela por ela. A dermocosmética é consideravelmente mais barata...
Em suma, na vida do dia-a-dia, o custo de vida poderá ser mais alto, mas não muito significativamente...os ordenados é que são o dobro (no mínimo), pelo que se torna evidente que a qualidade de vida/poder de compra do "Zé Tuga" é, de grosso, metade da do "Bernard Franciu".
E não me venham com a historia da produtividade e eficiência, porque isso é apenas algo que nos querem fazer acreditar para justificar tamanha "exploração" e pela minha experiência, é treta!
Não divagando sobre quem esta mal ou bem, Portugal, ao fim de 20 de Europa, continua (e continuara) a ser um Pais de papalvos sem que ninguém em particular (e todos ao mesmo tempo), tenha culpa disso.
O nível de vida em Paris, não é absurdamente mais caro do que em Lisboa. Ha até coisas mais baratas, isto excluindo os cafés da "champs elysees" e "champs de mars". é certo que os hotéis são estupidamente caros e comer fora no centro de Paris tem tanto de agradável, chic e sofisticado como de estupidamente dispendioso.
A habitação também é, em norma, mais cara e de inferior qualidade, mas os automóveis e transportes públicos são bastante em conta e a rede, nível de serviço e segurança bastante aceitáveis. As grandes cadeias internacionais (Zara, H&M, etc) vendem ao mesmo preço e o resto anda ela por ela. A dermocosmética é consideravelmente mais barata...
Em suma, na vida do dia-a-dia, o custo de vida poderá ser mais alto, mas não muito significativamente...os ordenados é que são o dobro (no mínimo), pelo que se torna evidente que a qualidade de vida/poder de compra do "Zé Tuga" é, de grosso, metade da do "Bernard Franciu".
E não me venham com a historia da produtividade e eficiência, porque isso é apenas algo que nos querem fazer acreditar para justificar tamanha "exploração" e pela minha experiência, é treta!
Não divagando sobre quem esta mal ou bem, Portugal, ao fim de 20 de Europa, continua (e continuara) a ser um Pais de papalvos sem que ninguém em particular (e todos ao mesmo tempo), tenha culpa disso.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Zé Manel taxista
Ja não é a primeira vez que falo sobre táxis...vou falar outra vez.
Foi a segunda vez que me calhou o Sr. Zé Manel taxista (nome fictício suponho)...o verdadeiro estereotipo, o cliché em pessoa..um táxi e um taxista com tudo o que aquilo que podemos almejar a ter. Um sonho de menino materializado naquele C 190 retro style.
Imagino que não seja fácil o turno da noite, nem tão pouco é para mim começar a semana as 5 da manha (hei), mas graças a este Sr. chauffer, a madrugada é mais airosa.
A começar pela viatura revestida a tapetes do tipo "Arraiolos falsos", que, imagino eu, antes de se servirem de revestimento ao velho automóvel, tenham feito vez numa sala de estar suburbana. Depois, o emblema do Benfica pendurado do retrovisor, a estatueta de uma Santa bem pregada no tablier, e o fado "da mariquinhas" sintonizado bem alto na radio Amália. A acrescentar, o próprio figurino, nos seu 50 anos, magro, comido pelo tempo, cabelo fraco mas meio lambido para trás, voz arrastada das noites de bagaço, prendam-me a alvorada num vibrante "bom dia a despachar que tenho que fazer".
E assim, neste cenário de "Deus, Pátria e Família" (+Benfica), enquanto Amália se esganiça e apoquenta com a devoluta casa mariquinhas, sorri para mim e mais uma vez me despedi de uma cidade que ainda dorme.
(Uma vez aqui, calhar-me-ia um taxista magrebino, sem fado, sem moustache, sem piada, sem nada e recordei-me porque é que somos um povo "anti crise").
Foi a segunda vez que me calhou o Sr. Zé Manel taxista (nome fictício suponho)...o verdadeiro estereotipo, o cliché em pessoa..um táxi e um taxista com tudo o que aquilo que podemos almejar a ter. Um sonho de menino materializado naquele C 190 retro style.
Imagino que não seja fácil o turno da noite, nem tão pouco é para mim começar a semana as 5 da manha (hei), mas graças a este Sr. chauffer, a madrugada é mais airosa.
A começar pela viatura revestida a tapetes do tipo "Arraiolos falsos", que, imagino eu, antes de se servirem de revestimento ao velho automóvel, tenham feito vez numa sala de estar suburbana. Depois, o emblema do Benfica pendurado do retrovisor, a estatueta de uma Santa bem pregada no tablier, e o fado "da mariquinhas" sintonizado bem alto na radio Amália. A acrescentar, o próprio figurino, nos seu 50 anos, magro, comido pelo tempo, cabelo fraco mas meio lambido para trás, voz arrastada das noites de bagaço, prendam-me a alvorada num vibrante "bom dia a despachar que tenho que fazer".
E assim, neste cenário de "Deus, Pátria e Família" (+Benfica), enquanto Amália se esganiça e apoquenta com a devoluta casa mariquinhas, sorri para mim e mais uma vez me despedi de uma cidade que ainda dorme.
(Uma vez aqui, calhar-me-ia um taxista magrebino, sem fado, sem moustache, sem piada, sem nada e recordei-me porque é que somos um povo "anti crise").
Comboio
Quando ando de comboio constato que todos somos personagens de um grande livro. E há com cada personagem, cada estória em cada rosto, cada silaba em cada expressão...gente é coisa gira.
Romeu e Julieta
Observando casais que andam aqui a cirandar é impressionante como na selva urbana parecem encaixar em si como peças de um puzzle. O beto com a beta, o chick com a chick(a), o freak com a freak (a), o intelectual com a intlectual(a). Nao haveria swing possível e nao haveria outra combinação possível, no que ao aspecto diz respeito. Sera significativo para o resto que somos? O que vale a imagem afinal numa relação? Somos educados para dizer que a imagem vale menos, mas o que o meus olhos vêm é que a imagem é o "matching point" ou então é só coincidência, o certo é que, aqui, não ha Romeu sem Julieta.
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